Ministro do STF se diz perplexo com agressividade de Lula

Marco Aurélio Mello ressalta que críticas do presidente ao Judiciário não alteram sua postura

Da Redação,

29 de fevereiro de 2008 | 11h50

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello,  respondeu nesta sexta-feira, 29, às críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Poder Judiciário. Em entrevista à rádio CBN, Mello disse estar perplexo com a agressividade das declarações, mas ressaltou que a opinião não altera sua postura nem a do Judiciário.   "A minha couraça é muito boa", ironizou. "Na nossa área jurídica há um fenômeno que é denominado o direito de espernear. Aqueles que se mostrem inconformados por isso ou por aquilo eles têm o direito de reclamar. Eu só estranhei a acidez do presidente", afirmou.   Veja também: Tarso defende declarações de Lula sobre ministros do STF Crítica de ministro do STF é 'inadmissível', diz Rands Lula se irrita e critica ministros do STF    "Enquanto eu tiver a toga sobre os ombros, eu cumprirei meu dever de juiz e cumprirei com espontaneidade", afirmou. "Não vejo qualquer extravasamento por parte do Judiciário e fiquei perplexo com o que foi veiculado e com a agressividade de Lula."   Na quinta-feira à noite, em discurso em Aracaju, Lula fez duras críticas à oposição e ao Judiciário, sobre o qual afirmou que seria bom se "metesse o nariz apenas nas coisas dele". "Nós iríamos criar a harmonia estabelecida na Constituição para que a democracia brasileira realmente seja estabelecida", disse. Mello criticou recentemente o aumento do Bolsa-Família, em um ano de eleições municipais. Mas o presidente não citou nomes.   "Não tem um palpite meu no Legislativo e o governo não se mete no Judiciário", continuou. "Se cada um ficar no seu galho o Brasil tem chance de ir em frente. Mas se cada um der palpite na vida do outro, a gente pode conturbar a tranqüilidade da sociedade brasileira", continuou.     Nesta semana, Marco Aurélio reservou-se a dizer que o programa Territórios da Cidadania, lançado pelo governo para beneficiar 958 municípios com R$ 11,3 bilhões de investimentos, poderia ser questionado no TSE pela oposição em resposta a perguntas de jornalistas.   (Com Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo)   Texto atualizado às 15h45

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