Ministro do STF diz que escuta em seu gabinete é algo 'gravíssimo'

Luis Roberto Barroso classifica ato como 'absoluta desfaçatez', mas afirma estar 'tranquilo; sindicância já foi instaurada

Por Isadora Peron e Gustavo Aguiar
Atualização:

BRASÍLIA - O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “gravíssimo” o fato de uma escuta telefônica ter sido localizada em seu gabinete. "Do ponto de vista institucional, é gravíssimo, alguém ter a ousadia de colocar um grampo no gabinete de um ministro do Supremo. É uma desfaçatez absoluta", disse.

O STF já instaurou sindicância para apurar a descoberta. Por ora, a assessoria do Tribunal diz que outros órgãos, como a Polícia Federal, não foram acionados. Segundo integrantes do STF, ainda não foi possível identificar quando a escuta foi instalada e se ela chegou a ser ativada em algum momento.

O ministro do STFLuís Roberto Barroso Foto: Dida Sampaio/Estadão

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Ele, no entanto, afirmou que está “tranquilo”, porque não há nada que seja discutido em sua sala que não seja “republicano”. “Do ponto de vista pessoal, eu estou completamente tranquilo e confortável. Aqui recebo pessoas em audiência e converso com os meus assessores sobre os processos, então a gravidade é alguém saber por antecipação o que eventualmente eu estou pensando em fazer num processo. Mas, fora isso, aqui é um espaço totalmente republicano”, disse.

A equipe de segurança STFidentificou o equipamento no dia 11 de abril quando fazia uma inspeção de rotina nos gabinetes da Corte. O aparelho, que estava desativado, era menor do que uma caixa de fósforo e foi encontrado em uma tomada embutida no chão, logo abaixo da mesa do ministro.

Ainda não foi possível identificar quando a escuta foi implantada e se ela chegou a ser ativada em algum momento. Um procedimento interno foi aberto para investigar o caso.

Recentemente, Barroso assumiu a relatoria da ação que definiu o rito de impeachment da presidente da República afastada Dilma Rousseff.

O ministro ocupa o gabinete número 429, no quarto andar de um prédio dos anexos do STF, em Brasília, desde 2013, quando assumiu o cargo de ministro na Suprema Corte. Antes, a sala era usada por Joaquim Barbosa, então presidente do Supremo, que anunciou aposentadoria antecipada pouco tempo depois do julgamento do mensalão.

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