Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministro do STF diz que escuta em seu gabinete é algo 'gravíssimo'

Luis Roberto Barroso classifica ato como 'absoluta desfaçatez', mas afirma estar 'tranquilo; sindicância já foi instaurada

Isadora Peron e Gustavo Aguiar, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2016 | 19h49

BRASÍLIA - O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “gravíssimo” o fato de uma escuta telefônica ter sido localizada em seu gabinete. "Do ponto de vista institucional, é gravíssimo, alguém ter a ousadia de colocar um grampo no gabinete de um ministro do Supremo. É uma desfaçatez absoluta", disse.

O STF já instaurou sindicância para apurar a descoberta. Por ora, a assessoria do Tribunal diz que outros órgãos, como a Polícia Federal, não foram acionados. Segundo integrantes do STF, ainda não foi possível identificar quando a escuta foi instalada e se ela chegou a ser ativada em algum momento.

Ele, no entanto, afirmou que está “tranquilo”, porque não há nada que seja discutido em sua sala que não seja “republicano”. “Do ponto de vista pessoal, eu estou completamente tranquilo e confortável. Aqui recebo pessoas em audiência e converso com os meus assessores sobre os processos, então a gravidade é alguém saber por antecipação o que eventualmente eu estou pensando em fazer num processo. Mas, fora isso, aqui é um espaço totalmente republicano”, disse.

A equipe de segurança STF  identificou o equipamento no dia 11 de abril quando fazia uma inspeção de rotina nos gabinetes da Corte. O aparelho, que estava desativado, era menor do que uma caixa de fósforo e foi encontrado em uma tomada embutida no chão, logo abaixo da mesa do ministro.

Ainda não foi possível identificar quando a escuta foi implantada e se ela chegou a ser ativada em algum momento. Um procedimento interno foi aberto para investigar o caso.

Recentemente, Barroso assumiu a relatoria da ação que definiu o rito de impeachment da presidente da República afastada Dilma Rousseff.

O ministro ocupa o gabinete número 429, no quarto andar de um prédio dos anexos do STF, em Brasília, desde 2013, quando assumiu o cargo de ministro na Suprema Corte. Antes, a sala era usada por Joaquim Barbosa, então presidente do Supremo, que anunciou aposentadoria antecipada pouco tempo depois do julgamento do mensalão.

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