Ministro do STF dá a parentes acesso VIP em voos, diz revista

Quando Direito era do STJ, parentes viajavam em classe superior e não passavam pela alfândega, segundo IstoÉ

Clarissa Oliveira, de O Estado de S. Paulo,

30 de abril de 2009 | 19h19

A farra com dinheiro público que marca há semanas o noticiário sobre o Congresso alcançou nesta quinta-feira, 30, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Alberto Direito. Reportagem da revista IstoÉ indica que parentes e amigos do ministro tinham acesso um esquema privilegiado para realizar viagens internacionais, numa prática adotada por ele desde a época em que ocupava uma cadeira no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro do STJ Luiz Fux também teria repassado benefícios do cargo a terceiros.

 

Doze ofícios do STJ obtidos pela revista, emitidos entre fevereiro e dezembro de 2008, indicam que o "esquema vip" de embarque e desembarque consistia em privilégios como viagens em classe superior à determinada na passagem ou o desembarque de voos internacionais sem passar pela alfândega.

 

Os ofícios recomendavam a agentes públicos nos aeroportos e até a companhias aéreas que dessem tratamento privilegiado aos familiares e amigos dos ministros. No STJ, o mecanismo teria por objetivo facilitar o trânsito de seus integrantes em viagens a trabalho. Direito, entretanto, teria estendido os benefícios aos filhos, à nora e a amigos, mesmo após ser indicado para o STF, em 2007.

 

O Estado procurou nesta quinta o STF e o STJ. No Supremo, o argumento da Secretaria de Comunicação foi o de que o assunto não diz respeito ao tribunal, já que se refere a "um servidor do STJ". Já a assessoria do STJ disse que não se pronunciaria sobre o caso de Direito, pois a manifestação é de responsabilidade do STF. Assessores prometeram um posicionamento da Secretaria de Comunicação sobre o caso de Fux, o que não ocorreu até o início da noite.

 

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