Divulgação
Divulgação

Ministro do GSI diz que Telegram de uso do El está sendo monitorado pela Abin

O general Sérgio Etchegoyen disse ainda que "a população não precisa ficar alarmada", pois não haveria "nenhum indicativo que leve a questão para um nível alarmante"

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2016 | 15h45

Brasília - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, disse ao Estado que "a população não precisa ficar alarmada" com qualquer tipo de notícia veiculada sobre a existência de um grupo de pessoas ligadas ao Estado Islâmico (EI) estar trocando mensagens em português, no aplicativo em celular Telegram. De acordo com o ministro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e os demais setores de inteligência do País, estão integrados com os órgãos que trabalham com esta finalidade no mundo inteiro, exatamente para monitorar todo e qualquer fato que mereça atenção das autoridades.

Segundo ele, monitoramentos em redes sociais e aplicativos, como este, "são feitos rotineiramente" e "todos os cuidados estão sendo tomados para garantir que os Jogos Olímpicos sejam realizados da melhor maneira possível". E emendou: "sempre há preocupação, sempre há risco, e é por isso que estamos trabalhando com o maior cuidado e atenção. Mas não há nenhum indicativo que leve a questão para nível alarmante. Por isso, não há o menor descuido neste trabalho. Ao contrário, todas as agências de inteligência nacionais e estrangeiras estão atentas e trabalhando em conjunto".

Depois de ressaltar que este grupo já vinha sendo acompanhado pela Abin e "não há nenhum fato que possa gerar qualquer tipo de alarme", o ministro acrescentou ainda que este é o "modus operandi" deste tipo de grupo em todo o mundo, e que a operação não foi criada especificamente para o Brasil. Para reforçar a sua tranquilidade em relação ao tema, o ministro disse que "há uma integração efetiva entre os Ministérios da Defesa, da Justiça e da Segurança Institucional e , principalmente entre as suas áreas de inteligência". Lembrou ainda que o sistema tem sido testado frequentemente, não só para atualizá-lo, mas durante os grandes eventos que o Brasil recebeu nos últimos anos, como Copa do Mundo e Jornada da Juventude, por exemplo.

O ministro Etchegoyen lembrou que reuniões rotineiras têm sido realizadas para tratar do tema e citou que na, última quinta-feira, por exemplo, outra deste tipo foi realizada, justamente para azeitar os trabalhos. "Temos preocupação. É claro, mas estamos vigilantes", disse. "A existência de um grupo é um dado concreto que vai construir um grau de probabilidade. Mas, até aqui, não há nenhum dado que justifique o alarme ou que tenha feito subir a preocupação. Mas, insisto. Estamos atentos", comentou ele.

De acordo com o ministro, "o fato de existirem países que estão em guerra contra o Estado Islâmico, como é o caso conhecidos dos Estados Unidos e França, isso, obviamente, aumenta o risco". Mas lembrou que as delegações estão hospedadas lado a lado, usaram, em muitos casos, os mesmos restaurantes, e que todas precisarão estar protegidas. Os riscos, segundo ele, também serão analisados, caso a caso, durante a realização dos jogos mas, todas as competições representam riscos.

Na última quinta-feira, 16, a Abin confirmou a informação de que pessoas ligadas ao Estado Islâmico criaram um grupo para trocar mensagens em português, através de um aplicativo de celular, no qual "conteúdos relacionados a ideologias extremistas são traduzidos para o português e reproduzidos nesse aplicativo (Telegram) de mensagens instantâneas". Ainda de acordo com a Abin, "a abertura desta nova frente de difusão de informações voltadas à doutrinação extremista, direcionada ao público de língua portuguesa, amplia a complexidade do trabalho de enfrentamento ao terrorismo e representa facilidade adicional à radicalização de cidadãos brasileiros". Informa também que "o compartilhamento desses conteúdos em grupos de troca de mensagens instantâneas é uma estratégia utilizada não apenas no Brasil" e que "organizações terroristas têm empregado ferramentas modernas de comunicação para ampliar o alcance de suas mensagens de radicalização direcionada, em especial, ao público jovem".

O nome do grupo é chamado Nashir Português e usa uma estratégia semelhante à da Nashir News Agency, usada pelo Estado Islâmico para fazer propaganda de suas ideias e divulgar manifestos.

Tudo o que sabemos sobre:
Estado Islâmico

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.