Reprodução/Facebook
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Ministro do GSI cita posse de Bolsonaro para justificar gasto com cartão corporativo

Conforme publicou o 'Estado', a despesa nos dois primeiros meses do ano chegou a R$ 1,1 milhão

Julia Lindner e Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2019 | 00h53

BRASÍLIA - Em pronunciamento numa rede social, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, citou nesta quinta-feira, 7, a posse presidencial, em 1.º de janeiro, como justificativa para a alta de 16% nas despesas com cartão corporativo da Presidência. Conforme publicou o Estado, a despesa nos dois primeiros meses do ano chegou a R$ 1,1 milhão.

“Todo o aparato para a posse, a vinda de presidente estrangeiros, altas autoridades, é lógico que acabou fazendo com que o cartão corporativo aumentasse sua despesa”, disse Heleno.

O ministro ainda citou o fato de, no mesmo período de 2018, somente o presidente da República, sem vice-presidente, ter usado o cartão. “Em janeiro de 2018, era ‘o’ presidente da República. Não tinha nem vice-presidente. E agora, em janeiro de 2019, nós tínhamos o presidente que estava deixando o poder, o presidente que foi eleito e mais o vice-presidente”, afirmou Heleno. Segundo ele, “o assunto foi colocado na imprensa de forma incorreta”.

A seu lado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “a despesa majorada foi 16%”, mas “como um todo, de forma global, a despesa com cartões corporativos baixou 28%”.

Os dois números constavam do texto publicado pelo Estado e não foram questionados pelo presidente nem pelo ministro.

A comparação feita pela reportagem não se resumiu ao ano passado, como citado por Heleno. O aumento de 16% se deu em relação à média de gastos nos dois primeiros meses dos últimos quatro anos – o que inclui os dois anos de governo Michel Temer e os dois últimos de Dilma Rousseff, quando havia vice. 

Além disso, o cálculo levou em consideração os gastos vinculados à Secretaria de Administração – responsável direta pelas despesas do presidente, seus familiares e residência oficiais. Não inclui a Vice-Presidência, que gastou R$ 28,4 mil no período.

Antes da publicação da reportagem, o Estado questionou a Secretaria de Comunicação da Presidência o motivo do aumento, mas não obteve resposta.

Bolsonaro ainda divulgou informações imprecisas sobre a Caderneta da Saúde da Adolescente, desenvolvida pelo Ministério da Saúde durante o governo Dilma. Ele disse que se tratava de uma caderneta de vacinação destinada a crianças a partir dos 9 anos, mas o material é direcionado a adolescentes entre 10 e 19 anos. Ele sugeriu rasgar páginas que seriam impróprias para os adolescentes. 

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