Ministro do Desenvolvimento passa a ser alvo nº 1 da oposição

Além de convocar Fernando Pimentel, tucanos querem que Comissão de Ética analise ganhos de consultoria

Eugênia Lopes e Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2011 | 23h34

BRASÍLIA e BELO HORIZONTE - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, é o novo alvo da oposição. Ao mesmo tempo em que tenta aprovar nesta quarta-feira, 7, convocação para que explique a atuação de sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, entre 2009 e 2010, o PSDB entra com representação na Comissão de Ética Pública da Presidência, para verificar se o petista infringiu o Código de Ética, e no Ministério Público do DF, sob suspeita de improbidade administrativa.

 

Na mesma linha, o PPS protocolou requerimento na mesa diretora da Câmara pedindo que Pimentel se explique sobre a denúncia, divulgada na terça-feira, 6, pelo jornal O Globo, de que sua empresa teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias, entre 2009 e 2010. A reportagem sugere tráfico de influência da consultoria do ministro em licitações da prefeitura de Belo Horizonte e a não prestação de serviços pagos pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

 

"O ministro deve muitas explicações. É preciso esclarecer em que circunstâncias ocorreram estas consultorias, já que Pimentel se preparava para ser importante coordenador da campanha da então candidata Dilma Rousseff", afirmou o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR). O líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), vê semelhanças entre o caso de Pimentel e do ex-ministro Antonio Palocci (PT), que deixou o governo em junho, após a divulgação de que seu patrimônio aumentou em cerca de 20 vezes. PSDB, PPS e DEM querem aprovar hoje, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, a convocação de Pimentel. "Vamos tentar incluir o requerimento na pauta", disse o líder Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).

 

Solidário. Em Belo Horizonte, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) saiu em defesa de Pimentel, que o antecedeu no cargo e foi um de seus padrinhos políticos.

 

O prefeito disse não ter ainda conversado com o ministro sobre o caso, mas ressaltou a "presunção da inocência" e alertou que "meias verdades são mais perigosas que meias mentiras".

 

Segundo Lacerda, as licitações vencidas pelo consórcio formado com participação da Convap para a realização de obras para a Copa do Mundo de 2014 estão "acima de qualquer suspeita". Essas licitações do PAC da Copa, avisou, têm fiscalização da Caixa Econômica e dos Tribunais de Contas do Estado e da União. "São transparentes", afirmou Lacerda.

 

Uma das empresas envolvidas nas denúncias, a Convap, foi cliente de Pimentel entre 2009 e 2011, período em que ele já havia deixado a Prefeitura de Belo Horizonte. Atualmente, a construtora integra um consórcio vencedor de licitação de R$ 95 milhões promovida pelo município. Segundo a prefeitura, a Convap tem participação de 1,25% no consórcio.

 

Na terça-feira, O Globo mostrou que, além da Convap, a P-21 de Pimentel também recebeu R$ 400 mil da QA Consulting. Um dos donos da empresa é Gustavo Prado, filho de Otílio Prado, sócio de Pimentel na P-21.

 

 

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