Ministro diz que 'não haverá golpe' e não confirma reforma da previdência até abril

Miguel Rossetto evitou afirmar se a presidente Dilma Rousseff iria encaminhar a proposta central do ajuste fiscal ao Congresso até o fim do próximo mês

Rachel Gamarski, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2016 | 12h22

Brasília - O ministro do Trabalho, Emprego e Previdência Social, Miguel Rossetto, afirmou nesta sexta-feira, 11, que é preciso a manutenção dos espaços democráticos. "Não haverá golpe e nem impeachment, haverá democracia e direitos", disse. O ministro, contudo, não confirmou se a presidente Dilma iria encaminhar para o Congresso até o fim de abril a proposta de reforma da previdência, um dos pontos mais importantes do ajuste fiscal.

O posicionamento de Rossetto ocorre um dia depois da fala do titular da Fazenda, Nelson Barbosa, sobre a necessidade de fazer a Reforma da Previdência o mais rápido possível para evitar consequências mais "drásticas".

Rossetto se comprometeu a entregar para Dilma um diagnóstico da Previdência baseado nas reuniões do Fórum da Previdência que vêm acontecendo. "Nós estamos trabalhando com o calendário de 60 dias para apresentar um diagnóstico para a presidente. É evidente que a dinâmica política, especialmente do Congresso Nacional, o posicionamento dos partidos e das lideranças vai determinar, e muito, o ritmo desse trabalho, da mesma forma que as opiniões das centrais sindicais e setor empresarial", disse.

Em meio à divergências sobre o tema, Rossetto afirmou que Dilma já se comprometeu a não mexer no direitos adquiridos dos trabalhadores. "Os direitos adquiridos estão garantidos e qualquer hipótese de transição será clara, lenta, rigorosa para permitir e garantir uma transição adequada", frisou.

Nesta quinta, Barbosa reafirmou a necessidade de uma reforma da Previdência para reduzir o maior gasto obrigatório da União. O ministro reconheceu as dificuldades de convergir para uma proposta que agrade tanto o trabalhador quanto o empregador, mas avaliou que o tema tem de ser resolvido já que é do interesse do País. "Há possibilidade de convergência em vários pontos, pode haver divergência em um ou outro detalhe, mas no sentido geral é do interesse de todos preservar o nosso sistema de Previdência", afirmou Barbosa.

Rossetto frisou que a presidente tem destacado a necessidade de agilizar este tema para retomar o crescimento econômico, desenvolvimento e recuperação do trabalho. Segundo o ministro, temos desafios importantes na economia e na sociedade. "O Brasil tem que voltar a crescer, tem que ter desenvolvimento e prioridade na geração de trabalho e emprego no País", completou.

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