Ministro diz que Lula ficará fora da disputa entre Marta e Mercadante

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pretende se envolver na disputa interna do PT paulista, entre o senador Aloizio Mercadante e a ex-prefeita Marta Suplicy, pela vaga na sucessão para o governo de São Paulo. "O presidente não vai se envolver", declarou o ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, ao comentar que "evidentemente o presidente Lula gostaria que o seu partido, no maior colégio eleitoral do País, pudesse ter chegado a um consenso mas, se isso não ocorreu, seguramente o presidente não irá interferir".O ministro Jaques Wagner acha "difícil" o presidente chamar Marta Suplicy e Aloizio para conversar sobre sucessão no Estado. "Acho que o processo já está em curso e tentar interferir agora não é bom, a não se que os dois candidatos pedissem uma mediação do presidente", disse. O ministro disse ter a impressão que o presidente será espectador deste processo, deixando que as bases do partido decidam.A sucessão nos Estados entrou na agenda do presidente nos últimos dois dias. No jantar de comemoração dos 26 anos do PT, ontem, Lula conversou com vários candidatos a candidatos, inclusive a ex-prefeita Marta Suplicy. Hoje, foi a vez de Lula receber em audiência, no Planalto, ex-deputado Vladimir Palmeira, candidato petista ao governo do Rio de Janeiro, preterido nas eleições passadas pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Nas conversas, Lula, que tem evitado se meter em polêmicas regionais, tem dito que está convencido de que, em alguns Estados, poderão ter dois palanques. Jaques Wagner assegurou que isso não será elemento de constrangimento.Segundo Wagner, na conversa com Vladimir Palmeira, o presidente Lula ouviu mais do que falou. "É uma candidatura do PT que o presidente respeita e ele trouxe como está a radiografia da situação do Rio", declarou o ministro, ao explicar que "o presidente não é de impor regionalmente, regras únicas, porque ele quer dar maior liberdade aos Estados, até para ter mais liberdade nesta relação".Questionado se esta subida nas pesquisas facilitava também o entendimento com o PMDB, a nível nacional e estadual, Jaques Wagner disse que continua achando que o partido é um grande parceiro e que se for possível, o ideal seria que houvesse este encontro, ainda no primeiro turno, sempre respeitando o partido. "Quando o presidente Lula diz que não quer bigamia política, é nesse sentido, não pode ter afronta a nenhum partido", afirmou Wagner, justificando que existe sim esta vontade de fazer parceria com o PMDB.

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