Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministro diz que há 'uma tentativa de golpe contra políticas sociais'

No comando da pasta Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias ainda reafirmou sua lealdade à presidente Dilma e a classificou como 'guerreira da pátria brasileira'

Carla Araújo e Victor Martins, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2016 | 17h03

Brasília - O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, afirmou nesta terça-feira, 3, durante o anúncio do Plano Safra da Agricultura Familiar 2016/2017, que o governo do PT nos últimos 14 anos foi o responsável por conquistas na reforma agrária e na agricultura familiar. Ananias disse ainda que há uma tentativa de golpe contra as políticas sociais implantadas pelo partido. "Mesmo diante do cenário econômico e político, (o plano) atesta o elevado compromisso do nosso governo - sob a liderança da Dilma - com a agricultura familiar e a produção de alimentos saudáveis", afirmou. "Empreendemos grandes esforços para que a agricultura familiar e a reforma agrária tenham avanços."

Patrus fez ainda uma defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, disse que as acusações contra Dilma são "caricatas" e afirmou estar "indignado" com o "rompimento do Estado Democrático de Direito". "Devemos estar atentos, há uma tentativa de golpe contra as políticas sociais que implantamos. O silêncio se torna covardia no momento em que se exige a verdade seja dita", afirmou, citando Mahatma Gandhi.

O ministro ironizou e disse que as elites brasileiras "merecem um prêmio". "Setores das oligarquias, forças políticas e econômicas que trazem no DNA o conservadorismo estão tentando perpetrar um golpe contra a presidente, a Constituição e contra o povo, contra o ideal de democracia e contra as políticas públicas que promovem a inclusão social de milhões de famílias brasileiras", completou.

Patrus afirmou ainda que é o momento de demonstrar fidelidade à presidente. "Está na hora de reafirmamos nossa lealdade ao mandato da presidente Dilma", finalizou o discurso, sob aplausos da plateia que começou a gritar: "Dilma, guerreira da pátria brasileira". A presidente Dilma ainda vai discursar.

Plano Safra. O governo anunciou nesta terça que irá ofertar R$ 30 bilhões em crédito para o financiamento da produção, conforme antecipou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. No ciclo passado, a oferta havia sido menor, de R$ 28,9 bilhões, mas os recursos contratados devem alcançar R$ 22 bilhões até o fim da safra.

Os juros para itens agroecológicos e produtos que integram a cesta básica como arroz, feijão, batata, trigo, café e leite recuaram de 5,5% ao ano para 2,5%. Além desses agricultores, criadores de gado leiteiro, abelhas, peixes, ovelhas e cabras também terão juros de 2,5%. Para assentados da reforma agrária as taxas ficarão entre 0,5% e 1,5%. Parte das operações pode ter taxa de até 5,5% a depender dos limites e outras condições. "Os juros reais do Plano safra são negativos, ou seja, abaixo da inflação", destacou Patrus Ananias.

Os limites de crédito para as operações de custeio passaram de R$ 100 mil na safra passada para R$ 250 mil neste novo ciclo. Já nas contrações de investimento, os valores aumentaram de R$ 150 mil para R$ 330 mil.

Além de Patrus, participaram do evento os ministros da Fazenda, Nelson Barbosa; da Justiça, Eugênio Aragão; Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini; Mulheres, Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, Nilma Lino; Desenvolvimento Social, Tereza Campello; Trabalho e Previdência, Miguel Rossetto e da Integração Nacional, Josélio de Andrade Moura.

Também estiveram presentes representantes de entidades do setor como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento Nacional dos Pequenos Agriculturas (MPA) e Via Campesina.

O anúncio do lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar foi antecipado pelo governo. No ano passado, a presidente Dilma Rousseff anunciou os recursos apenas no dia 22 de junho. O mesmo acontecerá com o Plano Safra que, em 2015, foi divulgado em 2 de junho, e será lançado por Dilma nesta quarta-feira, 4. A presidente decidiu intensificar suas agendas e promover uma série de anúncios de medidas nos dias que antecedem a votação do impeachment no Senado, que pode afastá-la por até 180 dias.

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