Ministro diz que construção de Angra 3 deverá ser retomada

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, afirmou nesta terça-feira que o governo deverá anunciar nos próximos dois meses a retomada da construção da usina nuclear Angra 3. "O presidente Lula está examinando o assunto e vai anunciar em breve a decisão", disse. A expectativa em torno do anúncio aumentou desde fevereiro, quando uma delegação de diplomatas e empresários franceses visitou as instalações da Eletronuclear em Angra dos Reis (RJ). A empresa francesa Areva tem contrato assinado para fornecer equipamentos para Angra 3.Sérgio Rezende negou que este novo prazo prejudique o andamento do projeto. "Atrasados nós estamos há 25 anos", ironizou, referindo-se à interrupção do programa nuclear brasileiro. "Com a escalada dos preços do petróleo e o aquecimento global, todos os países estão se voltando para a energia nuclear renovável, que é hoje muito mais segura e sequer produz rejeitos", defendeu. No Brasil, entretanto, a tecnologia usada é de enriquecimento de urânio, fonte de energia não-renovável. De 2005 para 2006, a oferta de energia a partir de usinas nucleares foi a que mais cresceu no País (39%). Segundo Rezende, o Ministério da Ciência e Tecnologia se prepara para "dominar inteiramente" o ciclo de produção de urânio e tratamento de rejeitos. Hoje, o país ainda depende do Canadá para processar o yellow cake (óxido de urânio). O investimento para construção de Angra 3 é estimado em R$ 550 milhões, previstos para serem desembolsados até 2010. No governo, além da Ciência e Tecnologia, o ministério das Minas e Energia defende a retomada de Angra 3 - proposta que não conta, entretanto, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente. Durante visita à Academia Brasileira de Ciências, Sérgio Rezende disse ainda que sua gestão incentivará a pesquisa em biocombustíveis e biodiesel. O monitoramento das mudanças climáticas, com destaque para a Amazônia, também é considerado fundamental pelo ministro. Ele acabou de criar um grupo interdisciplinar, sob coordenação do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), encarregado de preparar um plano nacional de enfrentamento dos efeitos do aquecimento global. Com um orçamento de R$ 1,4 bilhão para este ano, Sérgio Rezende promete, por fim, investir no programa espacial brasileiro e em projetos de inovação tecnológica para empresas.

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