Ministro diz que censura imposta ao 'Estado' é inaceitável

Para Miguel Jorge, da pasta de Desenvolvimento, censura atual é mais grave que a da época da ditadura

Anne Warth. da Agência Estado,

11 de setembro de 2009 | 14h55

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse nesta seta-feira, 11, considerar "inaceitável, grave e envergonhada" a censura imposta ao jornal O Estado de S. Paulo e ao site estadão.com.br por decisão judicial do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF). O Estado está há 42 dias impedido de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que teve como um de seus alvos o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

 

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Miguel Jorge trabalhou nos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde entre 1965 e 1987. Nos últimos dez anos no Grupo Estado, foi editor-chefe do Estado. "É inaceitável. Eu vivi anos sob censura, só que era uma censura declarada, mais ética, entre aspas, porque o censor vinha toda noite ao Estadão, descia na oficina. O Estadão tem fotos no arquivo dos censores trabalhando durante a noite, tirando matérias do Estado e do Jornal da Tarde", afirmou, depois de participar da comemoração pelos 20 anos do Guia Oesp Metal Mecânica e Eletrônica, no auditório do Grupo Estado, na capital paulista.

 

"Essa censura para mim é uma censura muito mais grave porque é uma censura envergonhada, sobre a qual se tem pouca ação, a não ser reclamar nos foros internacionais. É uma vergonha que, como jornalistas, ainda tenhamos que passar por esse tipo de coisa", acrescentou.

 

Miguel Jorge protestou contra demora da Justiça em analisar as demandas da defesa do Grupo Estado, que tenta derrubar a liminar concedida em favor de Fernando Sarney desde o dia 5 de agosto. Para ele, o episódio mostra que ainda existem setores no País favoráveis à censura. "O que explica a demora é a tentativa de alguns setores de tentar manter a censura", afirmou.

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