Ministro diz que ''''acusação é injusta'''' e deixa coordenação política do governo

Rapidez incomum do afastamento é resultado da prioridade dada pelo Planalto à votação da emenda da CPMF

Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

Minutos depois de ser denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por envolvimento com o mensalão mineiro, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, pediu demissão. Sua saída fora acertada na noite anterior com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como antecipou o Estado.Em carta endereçada a Lula, Mares Guia diz que "a acusação é injusta e improcedente" e isso "vai ficar provado no curso do processo". Acrescenta que sai "para se defender" e "não causar embaraços à sua gestão".Na conversa com Lula, tanto na noite de quarta-feira quanto no fim da tarde de ontem, ele disse estar "indignado" com o procurador, que teria lavado as mãos ao denunciá-lo sem provas. Ainda ontem, Mares Guia fez um pronunciamento veemente em sua defesa, insistindo em que "recebeu com indignação" a denúncia e que jamais foi ouvido nos nove anos de duração do processo, argumento que repetiu ao presidente.Na quarta-feira, ao conversar com Mares Guia sobre a possibilidade de sua saída, Lula deixou-o à vontade para agir como melhor entendesse e disse que "pensasse direitinho" antes de decidir apresentar seu pedido de afastamento. Mas, na verdade, o presidente sentiu-se aliviado com sua decisão de sair.AGENDA NEGATIVAA rapidez incomum em afastar o problema do Planalto foi impulsionada pela necessidade de evitar uma agenda negativa que prejudicasse a batalha pela aprovação da emenda que prorroga a CPMF no Senado. Lula, segundo fontes, não cansou de fazer elogios ao desprendimento de Mares Guia, evitando maiores desgastes ao governo, justamente agora que está na reta final da votação da renovação do imposto do cheque.Em conversa com auxiliares diretos, o presidente elogiou Mares Guia e comparou sua situação com a de Silas Rondeau, que deixou o Ministério de Minas e Energia após ser bombardeado com o que o Planalto qualifica de "frágil" denúncia vazada pela Polícia Federal.Ao comentar o episódio Mares Guia, Lula chegou a reiterar o seu desejo de trazer de volta Rondeau para o cargo, assim que for concluído o processo, considerado no Planalto "inacreditavelmente demorado".Na noite de quarta-feira, assim que foi informado pelos seus advogados de que ia ser denunciado, Mares Guia foi ao gabinete de Lula "espumando". Ele afirmou ao presidente que estava sendo denunciado por "peculato" pelo Ministério Público porque bancos estatais teriam patrocinado um enduro em Minas, de que ele nem sequer tomou conhecimento."Estão inventando pretexto para me atingir", desabafou. Ele até lembrou que, antes de aceitar o convite para assumir a pasta de Relações Institucionais, preveniu Lula sobre a denúncia, voltando a assegurar que, "se tivesse um milímetro de dúvida" sobre sua história, não assumiria o cargo. Na época, o presidente ouviu tudo, concordou e reiterou o convite.

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