Ministro diz desconhecer irregularidades com empreiteiras

O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PL), disse hoje desconhecer as denúncias de que empreiteiras sem "ficha limpa" estariam sendo contratadas para a operação tapa-buraco. "Só se foram condenadas no governo anterior: as contratadas agora já estavam executando obras para o ministério", disse. "Estamos dando seqüência aos investimentos que estávamos fazendo e em ano de eleição também se trabalha".Reportagem publicada na edição de hoje de O Estado de S. Paulo mostra que auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apurou que as empresas Egesa Engenharia e Tescon Engenharia, que trabalham na manutenção emergencial em estradas das divisas de Goiás, Minas e Distrito Federal, teriam superfaturado obras e recebido por serviço não realizado, entre outras irregularidades.O ministro das Relações Institucionais Jaques Wagner reforçou. "Se o pessoal (da oposição) está reclamando é porque o trabalho está incomodando positivamente". Depois de assinar a liberação de R$ 18,7 milhões para obras em quase quatro mil quilômetros de rodovias na Bahia, Nascimento junto com Wagner, foi até as cidades de Feira de Santana e Alagoinhas "inspecionar" o início dos serviços. Os dois ministros já manifestaram a intenção de disputar os governos de seus Estados. A acusação feita pelo Planalto de que governadores receberam recursos do ministério dos Transportes para a manutenção de estradas federais "estadualizadas" gerou conflito entre Alfredo e o governador Paulo Souto (PFL). Nascimento foi hoje à Bahia para lançar no Estado a operação tapa-buracos e foi recebido pelo governador.Ao deixar o gabinete do governador, o ministro insistiu em dizer que existe no ministério uma "pendência" das verbas repassadas para as "estadualizadas" (estradas). "Souto já esteve comigo em Brasília pedindo que o governo encontrasse uma forma de resolver essa pendência", disse. Em seguida, Souto negou haver qualquer obrigação da Bahia em relação ao Ministério dos Transportes.Na visão do governador, o dinheiro repassado pelo Planalto era para ressarcimento de obras já feitas pelo governo estadual nas estradas federais. "Recebemos várias comunicações do governo federal tratando da recuperação dessas estradas, o que mostra claramente a intenção de entregar (ao Estado) as estradas depois de recuperadas", disse. Segundo o governador, uma posição uniforme dos governadores sobre esse assunto será discutida amanhã em São Paulo, numa reunião de secretários estaduais de transporte.

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