Ministro desiste de trocar auxiliar citado em delação

Titular da Secom, Edinho Silva garante permanência de Manoel Sobrinho, apontado por Pessoa como receptor de doações

O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 00h05

A Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República desistiu ontem de trocar o funcionário da pasta implicado na Operação Lava Jato. Conforme nota distribuída aos jornalistas, Manoel de Araújo Sobrinho, chefe de gabinete do ministro Edinho Silva, “não será substituído”.

Na terça reportagem do Estado revelou as negociações para a saída de Sobrinho, informação confirmada por três fontes do Palácio do Planalto. Segundo a apuração, a substituição havia sido acertada e estava definida para ser efetivada nos próximos dias. 

Brasília - A nota da Secom diz que “a publicação prefere dar credibilidade a supostos auxiliares do Palácio do Planalto, anônimos, ao invés da palavra oficial de um ministro de Estado”. 

O ministro, como constou no texto de ontem, negava a saída do auxiliar, embora assessores do governo confirmassem a operação. A publicação do texto pelo Estado, segundo funcionários do Planalto, adiou os planos de mudanças na Secom. A saída de Sobrinho havia sido arquitetada para poupar Edinho, coordenador financeiro da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff no ano passado, e para tentar afastar do Planalto a crise provocada pela Operação Lava Jato. 

Sobrinho chegou ao Planalto com Edinho no início de abril. O chefe de gabinete foi apontado pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, delator na Lava Jato, como responsável por receber doações que chegaram a R$ 7,5 milhões para a campanha.

O dinheiro, segundo Pessoa, foi obtido por meio de pressão em troca da continuidade dos contratos da UTC com a Petrobrás. As autoridades investigam se esses recursos eram provinientes de corrupção. O ministro nega as acusações. 

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