Ministro descarta contratação temporária de professores

Menos de 24 horas depois do lançamento do pacote antigreve, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, descartou nesta quarta-feira a contratação temporária de professores para substituir os grevistas das universidades federais e escolas técnicas. A substituição por até três meses de funcionários públicos foi permitida em medida provisória. O pacote inclui projetos de lei que tornam abusivas paralisações superiores a 30 dias e permitem demissões em massa em casos de greves consideradas ilegais pela Justiça.Paulo Renato Souza disse que a medida provisória só poderá ser usada, ao menos no momento, em áreas do INSS e da saúde. Nesses setores o trabalho é mais "operacional", disse o ministro. "É óbvio que não vamos aplicar isso nas universidades, que exigem profissionais com capacidade específica".Na avaliação do ministro, as paralisações no INSS e em órgãos de saúde são "muito" mais graves do ponto de vista social do que a greve nas universidades federais. Ele reclamou da atenção diferenciada que a imprensa vem dando aos movimentos grevistas no serviço público. O INSS está sob controle do ministro pefelista Roberto Brant e a área da saúde, ao ministério chefiado por José Serra, presidenciável tucano como Paulo Renato."A imprensa retrata a greve que tem mais interesse da classe média", disse o ministro da Educação. "Hoje, temos milhões de pessoas atingidas por essas greves, muitas sem atendimento de saúde e ou sem obter licença maternidade." O MEC autorizou na terça-feira o aumento de 50% de vagas no vestibular das faculdades isoladas - instituições privadas com número restrito de cursos. A secretária de Ensino Superior do ministério, Maria Helena Guimarães de Castro, disse que é "ficção científica" associar o fim da "burocracia" na autorização de novas matrículas a uma medida preventiva para compensar adiamentos de vestibulares das federais causados pela greve.A portaria que permitiu mudanças na oferta de vagas não atingirá os cursos de medicina, odontologia e psicologia. As instituições isoladas, segundo o MEC, correspondem a 15% da rede de ensino superior. "A expansão nessa área continuará ocorrendo tanto no setor público como no privado", disse Maria Helena. Reconduzido hoje ao cargo de reitor da Universidade de Brasília (UnB), Lauro Mohry considerou o pacote antigreve necessário, mas disse que as instituições estão sem rumo. "Uma greve como essa acontece por falta de política para a universidade", avaliou. Já o pesquisador da UnB e também convidado do MEC para discutir um novo modelo de universidade, Benício Schmidt, criticou o lançamento das medidas. "O pacote denuncia a falta de capacidade de negociação do governo", afirmou.Mesmo concordando com o projeto de regulamentação da greve no serviço público, ele argumenta que o momento de paralisação é inconveniente para o lançamento de novas regras. Schmidt também atacou os reitores, que não estariam discutindo a greve com os servidores e professores, e os líderes do Andes. Ex-diretor da entidade, ele alega que o sindicato está conduzindo mal a paralisação.

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