Ministro descarta aumentar tarifa de energia

O ministro de Minas e Energia, José Jorge, confirmou hoje haverá um bônus para quem economizar energia. "Será um desconto para aquelas pessoas que, dada uma determinada quota, atinjam mais do que essa quota". Ele descartou a cobrança da multa para quem gastar mais do que o estipulado, mas disse que será discutida uma possibilidade de anexar às quotas alguma modificação no sistema tarifário. "Isso não quer dizer que seja aumento", ponderou.O ministro ainda não sabe dizer quantas horas por dia deverão durar os apagões, mas adianta que, por enquanto, os cortes devem ser mesmo de 20% do fornecimento. Sobre as queixas relativas à falta de informação, José Jorge disse que, como esta é uma situação única, tudo está sendo informado na medida em que está sendo decidido. "O País tem uma infra-estrutura que vai lhe permitir enfrentar essa situação", afirmou.Ele anunciou que serão acelerados todos os programa ligados à produção de energia alternativa (térmica e eólica) e garantiu mais investimentos para o setor. "Nos últimos cinco anos, nós investimos U$S 30 bilhões, ou seja, US$ 6 bilhões por ano. Para que nós possamos diminuir essa dependência do sistema a essas questões hidrológicas, nós devemos investir, nos próximos cinco anos, algo em torno de US$ 40 bilhões", disse, sem informar de onde virão os recursos.O ministro abriu hoje o Fórum dos Secretários para Assuntos de Energia, em Fortaleza, que reúne representantes de 22 estados. A maioria dos secretários reclama da falta de tempo para se preparar para os cortes de energia elétrica, que começam no dia primeiro de junho e devem durar até o 30 de novembro. "Se você me perguntar como é que vão funcionar os hospitais, as delegacias, o sistema de abastecimento de água, nós não sabemos", disse secretário de Mato Grosso, Edésio Ribeiro."Em todos os planos que estão sendo discutidos até agora, os serviços essenciais estão mantidos", tranqüiliza José Jorge, sem revelar como isso será feito.A representante gaúcha Dilma Rousset também não sabe como a situação vai ficar em seu estado. "Os estados do Sul não precisarão de racionamento. Pelo menos, por enquanto. A não ser que mudem as condições da hidrologia local", disse o ministro.Ele negou que tenha se sentido desprestigiado com a nomeação do ministro Pedro Parente para a Câmara de Gestão da Crise de Energia. Disse que achou "corretíssima" a decisão de criar a Câmara. "Eu mesmo sugeri que se criasse uma comissão especial em que toda a questão fosse abordada segundo uma visão interdisciplinar de todos os ministérios, porque essa não é uma questão setorial. E o ministério de Minas e Energia é nitidamente setorial, voltado para aumentar a oferta de energia", disse.

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