Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Ministro defende nomeação do presidente do PSD para Correios

'Empresas públicas não podem ficar acéfalas", declarou Geddel Vieira Lima; na segunda-feira, 6, contudo, Temer anunciou a suspensão de todas as nomeações politicas para estatais, bancos públicos e fundos de pensão

Tânia Monteiro e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2016 | 20h51

Brasília - O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, tentou justificar, nesta quinta-feira, 9, a decisão do presidente em exercício Michel Temer que, três dias depois de anunciar a suspensão de todas as nomeações politicas para estatais, bancos públicos e fundos de pensão, designou Guilherme Campos Júnior para a presidência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

"As empresas públicas não podem ficar acéfalas", declarou Geddel, ao defender a indicação de Campos, que é ex-deputado e é presidente do PSD, partido do ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, a quem a ECT está vinculada. Segundo Geddel, a publicação da nomeação de Campos era para ter saído desde o dia 18 de maio, mas atrasou porque havia pendências e "não dava para mudar mais".

Geddel disse ainda que Campos tem "capacidade" para ocupar a função. Apesar do ministro negar que Temer esteja descumprindo sua própria decisão, se a lei já estivesse em vigor, Campos não poderia assumir o cargo já que o projeto prevê que estes postos só poderão ser ocupados por técnicos ligados ao setor, que tenham trabalhado em áreas vinculadas às que irão comandar.

Flexibilização. Por conta das dificuldades criadas pelas restrições rígidas impostas pelo projeto de lei, o governo já discute no Congresso flexibilização dos seus termos, a fim de "ajustá-los" a sua intenção. A ideia do governo em conversa com os parlamentares é exigir que o nomeado tenha experiência administrativa, mas que não obrigatoriamente seja do setor.

Da mesma forma, o governo discute mudar a questão da paridade na composição de conselho de administração das estatais, problema trazido pelo presidente dos bancos públicos, ao questionar as regras de composição destes conselhos dos fundos de pensão.

Estas alterações, no entanto, que demandam negociações, acabaram atrasando a votação do projeto, que o governo esperava que estivesse aprovado esta semana. Agora, no mínimo, ficou para a próxima semana.

O Planalto, no entanto, tem sido pressionado pelas nomeações que estão emperradas.  Parlamentares aliados se queixam que os atrasos nas indicações acabam privilegiando os petistas, que continuam nos cargos e nos comando das empresas. Uma das principais queixas, no momento, é em relação ao setor elétrico, que está todo parado aguardando as indicações.

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