Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministro de Minas e Energia é diagnosticado com coronavírus

Bento Albuquerque é o 17º integrante da comitiva de viagem de Bolsonaro aos EUA a ser infectado

Idiana Tomazelli e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 14h55

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, de 61 anos, teve diagnóstico positivo para o coronavírus. Com isso, sobe para 17 o número de pessoas do grupo que viajou com o presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, na semana passada, e pegaram o vírus. Mais cedo, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, anunciou também ter sido contaminado.

O teste positivo do ministro de Minas e Energia foi divulgado pelo próprio Bolsonaro, no início de entrevista coletiva para anunciar medidas de combate à propagação da doença no País e seus efeitos na economia.  

 

"O cuidado deve ser redobrado", disse Bolsonaro ao anunciar que a doença atingiu mais um integrante do primeiro escalão do seu governo. O presidente concede a entrevista em uma sala de eventos do Palácio do Planalto, ao lado de outros ministros. Todos chegaram de máscaras.

Ontem, Bolsonaro divulgou em suas redes sociais que um segundo teste não diagnosticou que ele tem o coronavírus. Ele já havia anunciado um primeiro negativo na sexta-feira.

RECOMENDAÇÃO MÉDICA FOI IGNORADA

A exemplo de outros integrantes da comitiva presidencial, Bento Albuquerque também não cumpriu recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para ficar em isolamento por ao menos uma semana. Segundo a agenda do ministro, ele participou de reuniões em Brasília na quinta-feira passada e, na sexta-feira, se encontrou com diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeu.

Mesmo com o resultado negativo nos primeiros exames, a recomendação médica era para que os integrantes da comitiva ficassem em quarentena por mais sete dias até a realização do novo teste.

O próprio Bolsonaro também ignorou a orientação e cumpriu agendas diárias desde sexta-feira. No domingo, chegou a participar de manifestações de rua a favor do governo e contra o Congresso. Na ocasião, segundo levantamento do Estado, teve algum tipo de contato com 272 pessoas.

O contato com uma pessoa infectada é uma das formas de transmissão do coronavírus. O presidente foi criticado por infectologistas e até por aliados por expor os manifestantes ao risco de contaminação pela covid-19 (caso esteja com o vírus incubado). 

O primeiro caso envolvendo a comitiva presidencial que foi aos Estados Unidos foi o do secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten. Ele voltou ao Brasil na madrugada da quarta-feira passada, no mesmo avião do presidente e de Heleno.

Além do ministro, outros quatro funcionários do GSI que integraram a equipe que acompanhou Bolsonaro na viagem também tiveram diagnóstico positivo para a doença.Ele é o 17 da comitiva a contrair a doença.

Relembre quem são os integrantes da comitiva de Bolsonaro nos EUA com coronavírus:

  • Fabio Wajngarten, secretário de Comunicação da Presidência da República
  • Nelsinho Trad, senador pelo PTB-MS
  • Nestor Forster, embaixador e encarregado de negócios do Brasil nos EUA
  • Karina Kufa, advogada e tesoureira do Aliança pelo Brasil
  • Sérgio Lima, publicitário e marqueteiro do Aliança pelo Brasil
  • Samy Liberman, secretário-adjunto de comunicação da Presidência
  • Alan Coelho de Séllos, chefe do cerimonial do Itamaraty
  • Quatro integrantes não-identificados da equipe de apoio do voo presidencial aos EUA
  • Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
  • Marcos Troyjo, secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia
  • Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais
  • Daniel Freitas, deputado federal (PSL-SC)
  • Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI
  • Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia

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