Ministro da Saúde volta a enfrentar protesto contra aborto

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, voltou a enfrentar manifestação contra a legalização do aborto, em visita a Salvador (BA) para inaugurou mais uma unidade da Farmácia do Povo. O mesmo ocorreu na última segunda-feira passada, em Fortaleza (CE). Temporão defende a legalização da interrupção da gravidez porque, segundo ele, é uma questão de saúde pública. Integrantes do Movimento Nacional Contra o Aborto, da Frente Parlamentar pela Vida e Contra o Aborto e de movimentos religiosos diversos levaram faixas e cartazes para protestar contra as propostas de realização de plebiscito sobre o tema e sobre a descriminalização da prática.Desde que assumiu o cargo, ministro deu declarações neste sentido: "Milhares de mulheres morrem todos os anos submetendo-se a abortos inseguros. Sei que é uma questão polêmica, que envolve aspectos morais, religiosos, psicológicos, mas diz respeito, fundamentalmente, à política de saúde." "A vida é um direito inviolável do ser humano e deve ser garantido pelo Estado", afirma o deputado Luiz Bassuma (PT-BA), articulador do protesto e líder da frente parlamentar - que, segundo ele, já conta com189 deputados. Ao fim da manifestação, que durou cerca de uma hora e meia, o ministro recebeu, dos manifestantes, um "filme científico" (segundo os próprios) que trata sobre o tema.Enfrentar a polêmica"A minha intenção é exatamente levantar o debate. O aborto é uma cicatriz aberta no País. Esta questão é importantíssima no ponto de vista da saúde pública. A discriminação e a tentativa de abafar a realidade levam ao sofrimento e à morte", afirmou o ministro em certa ocasião. Segundo ele, "é importante que as mulheres possam se manifestar. As mulheres são as grandes interessadas na questão". O ministro diz que é a favor da vida. "Eu tenho quatro filhos. Eu sempre defendi a vida. Agora eu, como ministro, como responsável pela saúde da população brasileira, não posso esconder que esta é uma questão importante para ser debatida pelo País. Não podemos negar isso, porque aconteceram somente no ano passado 220 mil curetagens após aborto, no Sistema Único de Saúde. Essa é a realidade".

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