Ministro da Saúde enfrenta protesto contra aborto

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, enfrentou nesta segunda-feira, 9, em Fortaleza, um barulhento protesto contra o aborto. Temporão defende a legalização da interrupção da gravidez porque, segundo ele, é uma questão de saúde pública. Desde que assumiu o cargo, ministro deu declarações neste sentido: "Milhares de mulheres morrem todos os anos submetendo-se a abortos inseguros. Sei que é uma questão polêmica, que envolve aspectos morais, religiosos, psicológicos, mas diz respeito, fundamentalmente, à política de saúde."O protesto, liderado pelo presidente da Frente Parlamentar contra o aborto, deputado federal Luiz Bassuma (PT-BA), reuniu cerca de 100 pessoas, no ginásio poliesportivo da Parangaba, na periferia de Fortaleza, onde o ministro lançava programas de promoção à saúde, ainda em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, ocorrido no último sábado. A polícia militar, a guarda municipal e seguranças particulares estavam presentes para garantir a integridade física do ministro. Temporão recebeu vaias e seu discurso foi abafado por um trio elétrico colocado em frente ao ginásio, onde os manifestantes gritavam palavras de ordem com "Diga Não ao Aborto e Sim à Vida". Quatro faixas foram colocadas nas arquibancadas e no quadra do ginásio protestando contra as declarações do ministro de abrir o debate sobre a legalização do aborto no Brasil. As faixas diziam: "Diga não ao aborto!", "O Ministério é da Saúde ou da Morte?" "Saúde é Vida! Aborto é Morte" e "Por um Brasil sem Aborto". Tinha ainda uma faixa somente com a assinatura da "Arquidiocese de Fortaleza". Pastoral familiar"A minha intenção é exatamente levantar o debate. O aborto é uma cicatriz aberta no País. Esta questão é importantíssima no ponto de vista da saúde pública. A discriminação e a tentativa de abafar a realidade levam ao sofrimento e à morte", respondeu ao protesto o ministro. Segundo ele "é importante que as mulheres possam se manifestar. As mulheres são as grandes interessadas na questão". O ministro destacou que é a favor da vida. "Eu tenho quatro filhos. Eu sempre defendi a vida. Agora eu, como ministro, como responsável pela saúde da população brasileira, não posso esconder que esta é uma questão importante para ser debatida pelo País. Não podemos negar isso, porque aconteceram somente no ano passado 220 mil curetagens após aborto, no Sistema Único de Saúde. Essa é a realidade".

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