Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministro da Saúde demite apadrinhado de Temer na Funasa por improbidade

Há oito anos superintendente do órgão em São Paulo, Raze Rezek foi acusado de 'não manter conduta compatível com a moralidade administrativa

Andreza Matais, O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2015 | 19h39


BRASÍLIA -Apadrinhado do PMDB, o superintendente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em São Paulo, Raze Rezek, foi exonerado nesta quarta-feira, 14, pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, acusado de utilizar carro oficial do órgão para fins particulares. No cargo há oito anos, Rezek afirmou ao Estado que foi indicado para a vaga pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), e que vai processar Chioro e o ministério por danos morais. 

O Diário Oficial da União informa que ele foi destituído por "utilizar (...) recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares, e por ato de improbidade administrativa." Ele terá os bens indisponíveis para ressarcimento ao erário e não poderá ocupar cargo público pelos próximos cinco anos. 

As denúncias foram feitas por servidores da pasta e resultaram em procedimentos internos de investigação. O ministério também acusou Rezek de "não exercer o cargo com zelo, não guardar sigilo sobre assunto da repartição, não manter conduta compatível com a moralidade administrativa e, até mesmo, não ser assíduo e pontual ao serviço". 

Vinculada ao Ministério da Saúde, a Funasa é responsável por investimentos em saneamento básico. As superintendências, como a de São Paulo, têm como atribuição analisar os projetos dos municípios que solicitam verba federal para saneamento. 

PMDB. Temer  afirmou, por meio da assessoria, que a indicação de Rezek para o cargo partiu do irmão dele, o ex-deputado Uebe Rezek, membro do diretório nacional e estadual do PMDB. O vice-presidente disse que soube da exoneração pelo ministro e que concordou com a decisão. O ex-superintendente usava o carro oficial para viagens nos fins de semana entre São Paulo e Barretos, onde tem residência. Uebe Rezek disse que, por enquanto, não vai se manifestar a respeito da exoneração do irmão. 

Procurado pelo Estado, Raze Rezek disse que tomou conhecimento de sua exoneração pelo presidente da Funasa, Henrique Pires, também filiado ao PMDB. "Quem me indicou foi o Temer. Ainda não falei com ele. Tomei conhecimento somente ontem, no final da tarde, pelo presidente da Funasa. Até segunda estou ajuizando ação contra o ministério, contra a atitude do ministro de me exonerar. Depois, vou entrar com ação de indenização por danos morais."

O ex-superintendente afirmou que recebeu autorização da direção da Funasa para utilizar o veículo nos fins de semana. Segundo ele, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União entenderam que a utilização do veículo "possui amparo legal" e arquivaram as investigações. "Eu não sei qual a motivação para o ministro me exonerar. A cada um, dois meses eles tiram um do PMDB e colocam um do PT nas superintendências da Funasa. Eu não tenho nada a esconder. É fácil jogarem o nome dos outros na lama."

Conforme o deputado e ex-presidente da Funasa Danilo Forte (PMDB-CE), já foram trocados os superintendentes de Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Bahia e Ceará. Procurado, o Ministério da Saúde e a Funasa não retornaram aos pedidos de esclarecimentos do Estado sobre o assunto. O nome do substituto de Rezek ainda não foi oficializado.

**

Tudo o que sabemos sobre:
Michel TemerArthur Chioro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.