Ministro da Previdência exonera assessor acusado pela PF de integrar quadrilha

'Eu mesmo, o ministro, fui surpreendido', disse Garibaldi Allves ao Estado

Andreza Matais Fábio Fabrini / BRASÍLIA,

21 de setembro de 2013 | 12h44

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves (PMDB-RN), anunciou neste sábado que vai exonerar da função de confiança o assessor Gustavo Alberto Soares Filho. A decisão foi tomada após ele ser informado pela reportagem do Estado do suposto envolvimento do servidor com esquema criminoso para direcionar investimentos de fundos de pensão municipais, investigado pela Polícia Federal.

 

Gustavo é auditor da Receita Federal e trabalha como assessor do diretor de Regimes Próprios de Previdência do ministério, Otoni Gonçalves Guimarães. Segundo o diretor, ele ocupava cargo de coordenador da área de legislação da diretoria. Como é servidor de carreira, apesar de exonerado da função, não pode ser demitido sem antes ser aberto um processo administrativo. 

 

"Eu mesmo, o ministro, fui surpreendido. Não sabia que poderia ocorrer um fato dessa natureza no ministério", afirmou Garibaldi ao Estado. Segundo ele, medidas serão tomadas para tornar mais severo o controle dos fundos de pensão municipais. "Infelizmente, brasileiro só fecha a porta depois que arrombam. Vamos tomar providências para que a fiscalização seja mais rigorosa", adiantou.

 

Otoni Guimarães afirmou que não conversou com o servidor sobre o assunto porque "não sabia do envolvimento dele até ser procurado pelo Estado. Neste sábado, o Estado telefonou para Gustavo, mas a ligação foi interrompida assim que a reportagem se apresentou e informou do que gostaria de tratar.   

 

A PF sustenta, baseada em grampos autorizados pela Justiça e em documentos da Operação Miqueias, que o assessor mantinha negócios com o grupo investigado, participava de palestras realizadas para cooptar prefeitos e visitava uma das empresas suspeitas de operar o esquema, na qual teria, inclusive, trabalhado. Ele aparece também em anotações do doleiro Fayed Traboulsi, preso sob a acusação de chefiar o esquema investigado.   

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