Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministro da Justiça não garante permanência de diretor da PF

‘Não há nomes, e sim instituições’, diz Torquato, que convocou a imprensa, mas não respondeu se Daiello fica no cargo

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2017 | 13h32

BRASÍLIA - Em um pronunciamento de menos de cinco minutos ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, criticou neste sábado, 24, informações sobre a substituição do chefe da corporação, mas não garantiu sua permanência no cargo. "Não há nomes, e sim instituições. Não estamos preocupados com personalidades, estamos comprometidos com a instituição”, afirmou Torquato.

O Ministério da Justiça havia informado que haveria uma entrevista coletiva para desmentir o que a pasta chamou de “boatos” sobre a saída do diretor-geral da PF do cargo. Os jornalistas, porém, não puderam fazer perguntas.

“O Ministério da Justiça e a Polícia Federal fazem questão de expressar à sociedade brasileira a sua absoluta harmonia na condução das duas instituições. O noticiário que está aí é, para usar um termo moderno, a pós-verdade, não corresponde à realidade”, disse Torquato.

‘Harmonia’. O ministro afirmou que ele e Daiello têm trabalhado “com a mais absoluta harmonia e camaradagem, ambos igualmente comprometidos com a instituição da PF”.

O diretor-geral da PF também adotou um discurso no qual ressaltou a “perspectiva institucional”. “Não é uma perspectiva pessoal”, afirmou. Daiello disse que desde a posse do ministro da Justiça, há cerca de um mês, apresentou a pauta da PF ao novo titular da pasta.

Pela manhã, os dois se reuniram na sede do Ministério da Justiça. O encontro ocorreu um dia depois de a PF concluir que o áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS, com o presidente Michel Temer, no dia 7 de março, no Palácio do Jaburu, não sofreu alterações.

O áudio, anexado ao inquérito da PF no qual Temer é investigado pelos crimes de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa é uma das principais provas apresentadas por Joesley em seu acordo de delação premiada. A perícia na gravação feita pelo empresário era aguardada pela Procuradoria-Geral da República para a apresentação da acusação formal contra Temer, o que deve ocorrer nesta semana.

Ao assumir o Ministério da Justiça, pasta à qual a PF é subordinada, Torquato afirmou que não descartava mudanças no comando da corporação, responsável pelas ações da Operação Lava Jato. Segundo ele, a permanência ou não de Daiello levaria três meses de “observações”.

O novo ministro também avisou que o efetivo da Polícia Federal nas investigações dependerá de uma análise do orçamento da corporação.

Sem questionamentos. Torquato saiu da sala de entrevista sem responder às perguntas de jornalistas e deixou o diretor-geral da PF na mesa. Daiello fez uma breve fala aos jornalistas, destacando que apresentou ao ministro da Justiça uma pauta da instituição desde o início da gestão de Torquato. Ele também saiu apressado do local sem responder às perguntas dos repórteres presentes.

O atual diretor-geral da PF foi nomeado para o cargo em 2011, durante a gestão da presidente cassada Dilma Rousseff. A cada troca de titular da pasta da Justiça a substituição de Daiello é cogitada.

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