Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Ministro da Justiça nega ter falado sobre delação da JBS com Fachin

Osmar Serraglio afirma que audiência com ministro do STF foi para 'tranquilizá-lo' sobre corte no orçamento da PF

Isadora Peron, Breno Pires e Fabio Serapião, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2017 | 18h11

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, negou que tenha tratado da delação premiada dos executivos o Grupo J&F durante a audiência com o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, na manhã desta quinta-feira, 25.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, Serraglio esteve com Fachin, relator da Lava Jato na Corte, para "tranquilizá-lo" de que o corte no orçamento da Polícia Federal não irá afetar o funcionamento da operação. O ministro teria garantido ao magistrado que, se "sempre que for necessário", haverá remanejamento de recursos para a PF.

A reunião teria sido marcada porque, no fim de semana, o Estado mostrou que Polícia Federal, subordinada à pasta, reduziu a equipe destacada para a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, e contingenciou 44% do orçamento de custeio previsto para 2017.

No site do STF, a agenda de Fachin registra que o motivo da audiência seria a petição número 7003, que trata da delação dos empresários do grupo J&F. Após o encontro, o gabinete de Fachin afirmou que a reunião tratou de "funções e trabalhos da Polícia Federal".

Delação. Na documentação entregue em seu acordo de colaboração sobre os políticos de 28 partidos que teriam recebido propina, o diretor de relações Institucionais da J&F Ricardo Saud elenca um repasse de R$ 200 mil para Serraglio. 

Até o momento, porém, o ministro da Justiça não é investigado nos inquéritos abertos após a colaboração dos executivos do grupo. Ele é citado também em um diálogo entre o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e Joesley Batista, um dos donos da JBS. Na conversa, Aécio diz que o presidente Michel Temer "errou" ao nomear o peemedebista para o Ministério da Justiça e o desqualifica com palavras chulas.

A indicação de Serraglio para o Ministério da Justiça resultou na ida de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para a Câmara dos Deputados. Flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil, Rocha Loures é apontado por Joesley como o interlocutor indicado por Temer para tratar de temas de interesse da empresa.

O ministro da Justiça já foi mencionado em outra operação da Polícia Federal que teve a JBS como alvo. Na Carne Fraca, Serraglio aparece em interceptações telefônicas com o fiscal agropecuário acusado de liderar um suposto grupo criminoso que atuava na fiscalização de grandes frigoríficos. O ministro nega todas as acusações.

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