Ministro da Justiça diz que não há porque parar Lava Jato nas eleições

Ministro da Justiça falou sobre operação um dia após afirmar que haveria uma nova etapa nesta semana

Ricardo Leopoldo e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2016 | 12h32

São Paulo - Um dia após afirmar que haveria uma nova etapa da Operação Lava Jato nesta semana, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou que “não há porque parar a Operação Lava Jato por causa das eleições” municipais, cujo primeiro turno ocorrerá neste domingo em todo o País. “Não é possível que você pare investigações que já estão em curso em virtude de eventos que ocorrem normalmente no Brasil”, disse. “As eleições (realizadas) de dois em dois anos são eventos normais, democráticos já institucionalizados. Se formos parar sempre (a cada dois anos) as investigações, nunca vai se chegar a lugar nenhum.”

O ministro destacou que as operações realizadas no âmbito da Lava Jato não são feitas contra “o partido X ou Y.” Segundo ele, “houve operações com ordem judicial em relação a pessoas que vêm sendo investigadas”, apontou. “E em virtude disso, segundo tanto o Ministério Público Federal quanto o Juiz Sergio Moro", julgaram adequado, por "indícios de autoria, provas e materialidade" prosseguir seus trabalhos de investigação, que, explicou, podem ocorrer com pedidos de prisão temporária ou busca e apreensão.

O ministro da Justiça elogiou a Operação Lava Jato, que, segundo ele, vem sendo realizada há mais de dois anos de forma “absolutamente eficaz e eficiente.” Para Moraes, a operação “talvez tenha quebrado paradigmas da forma de investigar, porque foi feita com estratégia, degrau por degrau.”

Na avaliação do ministro, os dados apurados pela Operação Lava Jato “foram sendo consolidados e a partir disso foram sendo tomadas as providências”. A operação vem sendo realizada do ponto de vista legal, "de maneira absolutamente normal."

“Quando acusam a Polícia Federal ou a força-tarefa do Ministério Público Federal ou o próprio Juiz Sergio Moro de abuso, de irregularidade, isso é acusar o sistema judiciário brasileiro”, disse o ministro. “As decisões tomadas a partir do ministério público, da Polícia Federal, pelo juiz Sergio Moro são confirmadas pelo Tribunal Regional Federal, pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal”, destacou. “São todas decisões que são confirmadas e vem dando um resultado excelente. Agora, o momento em que ela vai terminar ou não, isso depende dos investigadores.”

O ministro da Justiça reiterou que é informado todos os dias por volta das 6h da manhã de todas as operações que são realizadas pela Polícia Federal, inclusive hoje, quando da 35ª fase. Moraes também destacou, por exemplo, que no início desta manhã foi informado que uma segunda operação foi deflagrada no Rio de Janeiro, que prendeu policiais suspeitos de envolvimento com corrupção.

 

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