Ministro da Justiça diz que não há interferência política na PF

Em audiência na Câmara para explicar investigações da Operação Porto Seguro, José Eduardo Cardozo descarta 'instrumentalização' das ações policiais

Ricardo Brito, da Agência Estado

04 de dezembro de 2012 | 12h24

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta terça-feira, 4, que não há interferência política nas ações da Polícia Federal, instituição funcionalmente subordinada a ele. "As operações da PF não são fruto de instrumentalização nem de descontrole. Posso afirmar que a Polícia Federal não é mais uma polícia de governo, mas uma polícia de Estado", disse o ministro durante audiência pública conjunta de duas comissões temáticas da Câmara dos Deputados.

O ministro foi convidado para esclarecer a Operação Porto Seguro, que desbaratou um esquema de venda de pareceres de órgãos públicos federais que envolveu a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha.

Na sua fala inicial, Cardozo disse que, por hábito, o titular da Justiça só toma conhecimento de uma operação no momento em que ela ocorre. Em relação à Operação Porto Seguro, o ministro disse que soube, de maneira genérica no dia anterior, de que haveria uma operação envolvendo um órgão do governo.

"Ainda na quinta-feira (um dia antes da operação), informei a presidente Dilma Rousseff que haveria uma operação da PF no dia seguinte envolvendo órgão do governo, mas sem detalhes, porque eu não os tinha naquele momento", disse. Ele esclareceu que somente no dia da operação, pela manhã, é que se reuniu com o diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra, para tomar conhecimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão que haviam sido cumpridos naquele dia.

Na sua exposição, Cardozo lembrou ainda o fato de que, quando houve a deflagração da Operação Monte Carlo, que prendeu o contraventor Carlinhos Cachoeira no final de fevereiro, "se dizia que o ministro da Justiça estava instrumentalizando a Polícia Federal". Isso porque os investigados não tinham relação com o atual governo, como pessoas ligadas ao governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo.

Contudo, o ministro ponderou que, quando uma investigação da PF envolve pessoas ligadas à base de sustentação do governo, "o que se afirma é que o ministro da Justiça perdeu o controle sobre a Polícia Federal". "A Polícia é de Estado e não se submete a qualquer situação de ordem política", afirmou.

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