Dida Sampaio/AE
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Ministro da Justiça diz que investimento em segurança está garantido

Apesar do ajuste fiscal e a crise econômica mundial, José Eduardo Cardozo acredita que o governo será capaz de manter o calendário de investimentos para 2012

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 18h48

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta quarta-feira, 23, que, apesar dos problemas causados este ano pelo ajuste fiscal e a crise econômica mundial, o governo manterá em 2012, sem cortes, o calendário de investimentos em segurança pública e no Plano Estratégico de Fronteira em 2012. Isso inclui a realização de concursos para a contratação de mais de 3,9 mil pessoas para as polícias Federal e Rodoviária, melhorias nas instalações físicas e pagamento da gratificação prometida aos policiais que atuam na fronteira.

O anúncio é uma resposta à operação padrão que os policiais de fronteira farão amanhã em 12 Estados e no Distrito Federal (DF), em protesto contra o não pagamento de uma gratificação de até 40% prometida pelo governo, as péssimas condições de trabalho e a falta de investimentos na linha de 16,8 mil quilômetros entre Brasil e dez países vizinhos. Lançado em junho e entregue ao vice-presidente Michel Temer como sinal de prioridade do governo, o plano praticamente não saiu do papel, conforme noticiou nesta quarta-feira o jornal O Estado de S. Paulo.

"O plano prevê ações estruturantes de longo prazo até 2014, o calendário está em dia e novos investimentos serão feitos nos próximos anos", garantiu Cardozo. "Nós temos de ter clara a legitimidade de sindicatos (de policiais), mas o governo segue firme no plano de fronteiras, que tem sido um êxito, uma vitória", afirmou. Ele disse que o adicional de fronteira está aprovado, mas esbarrou em problemas legais porque a remuneração da PF é por subsídio, que legalmente não permite gratificação de nenhum tipo.

A operação padrão é organizada pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) e serve também para protestar contra "perseguições, assédio moral e o aumento irregular de terceirizações" que estariam ocorrendo no órgão, segundo o presidente da entidade, Marcos Wink. Ele criticou o que chamou a "tirania de delegados" e disse que a instituição tem uma divisão intolerável de castas. "Aos delegados são garantidos todo o poder e privilégios e às demais categorias, como agentes e papiloscopistas, nada", criticou.

Wink citou que todos os cargos importantes, como diretorias e chefias, são privativos de delegados e que as demais categorias, desmotivadas, estariam passando por um processo de evasão. "Chegamos ao absurdo de ter a assessoria de imprensa e a chefia do canil comandados por um delegado, pode?" criticou. Ele lembrou que os agentes não têm plano de carreira nem podem ocupar cargos elevados, embora executem quase todo o trabalho de investigação, planejamento e inteligência. "Eles fazem tudo e o delegado assina", declarou.

Cardozo afirmou que, embora respeite o direito de manifestação de servidores, a fronteira é uma região delicada, de relevante interesse da segurança nacional e que o governo não vai permitir que o policiamento seja prejudicado por rebeliões. Ele garantiu que o diálogo está aberto e que todos os pontos questionados pelo movimento estão sendo cumpridos.

Após três anos sem aumentar o quadro, a PF abrirá uma nova temporada de concursos em 2012. O Ministério do Planejamento autorizou a contratação de 1,3 mil pessoas, que serão admitidas em duas fases. A primeira turma, de 650 policiais, será incorporada ainda em 2012, após seis meses de treinamento na Academia Nacional do órgão, em Brasília. Os demais serão admitidos em 2013. O reforço leva em conta as demandas de segurança exigidas pela Copa do Mundo de 2014 e outros grandes eventos previstos até 2016. Até o final de 2013, a Polícia Rodoviária Federal tem autorização para contratar 2,6 mil servidores, a grande maioria para áreas operacionais.

 

 

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