Ministro da Justiça acusa FHC de ter ´ética relativa´

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, acusou nesta segunda-feira o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de ter ética relativa ao criticar corrupção no atual governo e esquecer as denúncias contra a administração dele. "Essa questão do caixa 2, um crime que deve ser combatido fortemente, foi levantada muitas vezes durante o governo anterior. Essa indignação dele agora é muito seletiva, pois vem só em relação ao PT", criticou.Para o ministro, Fernando Henrique errou no tom em sua entrevista à revista IstoÉ, na qual afirma, entre outras coisas, que "a ética do PT é roubar" e que o partido obteve lealdades em troca de dinheiro. Em tom igualmente áspero, Bastos reavivou a memória do ex-presidente sobre as denúncias de caixa 2 no governo dele e garantiu que a Polícia Federal vai investigar a fundo o dossiê de Furnas, no qual membros da alta cúpula tucana aparecem numa lista de supostos beneficiários de financiamento ilegal de campanha na eleição de 2002.Esta e outras denúncias sobre uso de dinheiro ilegal em campanhas da oposição, segundo Bastos, devem ser investigadas com o mesmo rigor com que a PF vem investigando o PT. "Na época (governo FHC), houve acusações fortes, gravações de deputados dizendo que tinham recebido dinheiro para votar na reeleição", recordou o ministro. Ele disse que não faz idéia se houve de fato caixa 2 no governo anterior, "mas tudo isso tem que ser investigado", observou.Fernando Henrique, no entender de Bastos, entrou em campanha eleitoral de forma intempestiva para evitar a comparação entre o governo dele e o atual. "Ele não prestou um serviço ao Brasil dando declaração tão panfletária", criticou o ministro. Ele defende que o eixo da campanha deste ano seja a questão ética, mas acha que o debate deve se dar em alto nível em torno de valores e de propostas para o futuro do País. Bastos reconheceu que o PT cometeu deslizes éticos, pelos quais está pagando um alto preço. "A direção do PT inteira foi trocada e nós vamos discutir a ética sempre", afirmou o ministro, ao lembrar que a indignação seletiva de Fernando Henrique "soa estranho", pois, se dirige "contra algumas coisas e não contra todas as coisas". Ele disse que as pessoas que cometeram erros e crimes têm que ser punidas. "O que não pode haver é dois pesos duas medidas, indignação em relação ao PT e complacência em relação às outras coisas", enfatizou.

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