Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministro da Defesa diz que não vislumbra base militar dos EUA no Brasil

Fernando Azevedo e Silva reforçou a ideia dita anteriormente pelo ministro do GSI, Augusto Heleno; entretanto, secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, alegou ter ficado satisfeito com oferta

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2019 | 20h18

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse nesta terça-feira, 8, por meio de nota, que não vislumbra a instalação de uma base militar dos Estados Unidos em território nacional. Ao Estado, ele havia declarado na sexta-feira passada que não conversara sobre a construção da unidade militar americana no País com o presidente Jair Bolsonaro, nem conhecia tratativas sobre o assunto. Azevedo e Silva argumentou que, por isso, não poderia avaliar eventuais vantagens e desvantagens de um acordo entre os países. 

"O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, esclarece que não existe nenhuma demanda sobre o tema e não vislumbra, pela Defesa, a instalação da referida base", informou o Ministério da Defesa em nota oficial.

Mais cedo, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, negou que o presidente Jair Bolsonaro tenha planos de instalar uma base militar dos Estados Unidos em território nacional.  "Ele me disse que ele nunca falou disso. Foi um comentário, foi falado de base russa, aí saiu esse assunto... De repente, base americana... Não tem nada. Ele falou comigo que não falou nada disso. Fizeram um auê disso aí sem nada", disse Heleno, depois de reunião ministerial no Palácio do Planalto com Bolsonaro.

Ao Estado, porém, o secretário de Estado dos Estados Unidos (EUA), Mike Pompeo, disse ter ficado satisfeito com a oferta do governo Bolsonaro. Eles se reuniram em Brasília na semana passada, após a posse do presidente. 

Bolsonaro falou do tema pela primeira vez, depois de assumir a Presidência da República, na semana passada, em entrevista ao SBT. O presidente admitiu a possibilidade de ser discutida a instalação da base americana. Na ocasião, ele também respondeu sobre operações militares da Rússia em parceria com a Venezuela.

Na sexta-feira passada, Bolsonaro reiterou uma sinalização favorável à base dos EUA. O presidente justificou a medida como uma preocupação com a soberania e a segurança nacional e disse que, segundo conversas internas, os Estados Unidos estavam prospectando junto a outros países sul-americanos a possibilidade de instalação de uma unidade militar. "Eu tenho o povo americano como amigo", afirmou Bolsonaro, durante entrevista na Base Aérea de Brasília.

Os comandos das Forças Armadas foram surpreendidos e fizeram críticas em privado à iniciativa. Oficiais generais disseram à reportagem que entenderam a fala de Bolsonaro como uma especulação. Aeronáutica informou que não tinha conhecimento sobre tratativas para a base. A Marinha disse que o assunto envolve estratégias mais gerais ligadas à Defesa, e que caberia ao ministério se pronunciar. O Exército não respondeu.

No mesmo dia, o chanceler Ernesto Araújo, porém, confirmou a intenção do Brasil de sediar uma unidade militar dos EUA. Ele disse que a base faria parte de um acordo mais amplo que envolveria o comércio entre os países. “O presidente não exclui esse tipo de possibilidade. Temos todo interesse em aumentar a cooperação com os Estados Unidos em todas as áreas. Isso é algo que tem que ser conversado. Não haveria problema na questão de uma presença desse tipo”, afirmou Araújo, no Peru, onde participou de reunião do Grupo de Lima.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.