André Dusek/Estadão
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Ministro da Agricultura diz não acreditar na participação de irmãos em esquema

Em nota divulgada nesta quinta, Neri Geller lamentou a presença de familiares entre os investigados pela PF por envolvimento em esquema de venda ilegal de terras para reforma agrária

Nivaldo Souza e Fabio Fabrini, O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2014 | 19h02

Atualizado às 22h36

Brasília - O Ministério da Agricultura sustenta que o ministro Neri Geller (PMDB-MT) não está envolvido no esquema de aquisição ilegal de terras da União, destinadas à reforma agrária. 

Em nota, a pasta disse que ele “lamenta a presença de familiares entre os investigados e diz não acreditar na participação dos mesmos em qualquer irregularidade.” 

Referindo-se aos irmãos, o ministro negou, ainda, ter “associação jurídica ou outro tipo de sociedade com os envolvidos no processo”. O advogado Edy Piccini, que representa Milton e Odair Geller, disse nesta quinta-feira, 27, que estava viajando a Cuiabá para se inteirar das acusações. Só “depois” poderia falar a respeito, o que não aconteceu até a conclusão desta edição. 

Ex-deputado federal, o ministro foi secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e ascendeu ao cargo em março, com a saída de Antônio Andrade (PMDB-MG), que deixou a pasta para concorrer a vice-governador de Minas nas eleições deste ano. Ele não deve ser mantido após a reforma ministerial para o segundo mandato da presidente Dilma. 

Geller soube da prisão dos dois irmãos ao retornar de uma viagem aos Emirados Árabes, onde representou o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), na inauguração de uma fábrica da BR Foods. A família do ministro é assentada do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no município de Nova Mutum, no oeste de Mato Grosso. Os Geller produzem soja na região. 

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, afirmou nesta quinta ao Estado que o ministério está colaborando com a operação. “O Incra tem prestado todo o auxílio técnico à Polícia Federal”, disse. O Incra informou que vai afastar os servidores envolvidos. 

Segundo o ministro, o Incra já tem ajuizadas ações para recuperar terras ocupadas ilegalmente. Rossetto não falou das suspeitas contra irmãos do ministro. Eles tiveram prisão decretada pela Justiça por suposto envolvimento no esquema. “Soube da operação à tarde”, declarou. Os dois são proprietários de terras e teriam se beneficiado do esquema ilegal, conforme investigação da Operação Terra Prometida.  

Conforme a PF, 35 pessoas foram presas nesta quinta-feira. Do total, nove foram presas porque no cumprimento de mandados de busca a apreensão a PF encontrou porte ilegal de armas. O advogado dos irmãos do ministro, o criminalista Edy Wilson Piccini, afirmou ao Estado que estava se deslocando para Cuiabá para saber quais são as acusações  contra seus clientes. 

Esquema. De acordo com as investigações, com o objetivo de se obter a reconcentração fundiária de terras da União destinadas à reforma agrária, fazendeiros, empresários e grupos do agronegócio faziam uso de sua influência e poder econômico para aliciar, coagir e ameaçar parceleiros para obter, ilegalmente, deles lotes de 100 hectares, cada um avaliado em cerca de R$ 1 milhão. Estima-se que 80 fazendeiros fazem parte do esquema. A fraude pode alcançar o montante de R$ 1 bilhão, em valores atualizados.

"Com ações ardilosas, uso da força física e até de armas, compravam a baixo preço ou invadiam e esbulhavam a posse destas áreas. Em seguida, com o auxílio de servidores corrompidos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), integrantes de entidades de classe, servidores de Câmaras de Vereadores e de Prefeituras Municipais buscavam regularizar a situação do lote", diz a PF em nota sobre a operação. / COLABOROU WILSON TOSTA

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