Ministro da Agricultura defende apoio do PMDB à Dilma e critica Quércia

Ministro da Agricultura defende apoio do PMDB à Dilma e critica Quércia

'Não posso entender como ele possa se colocar contra um governo que tem seis ministros do PMDB', diz Wagner Rossi

Gustavo Porto, da Agência Estado

12 de abril de 2010 | 17h54

Apadrinhado pelo presidente nacional do PMDB, Michel Temer, que o indicou à presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e depois para o Ministério da Agricultura, Wagner Rossi mostrou lealdade ao deputado federal e não poupou críticas aos adversários, dentro e fora do partido. Ao ex-governador Orestes Quércia, o ministro pediu que respeite as diretrizes do PMDB para as eleições deste ano, ou seja, dê apoio à pré-candidata Dilma Rousseff e ao PT.

 

Rossi defendeu, ainda, que Quércia desista da aliança feita com o PSDB em São Paulo e da vaga de senador na chapa de Geraldo Alckmin ao governo do Estado. Rossi também não poupou Alckmin e classificou como "muito difícil" a relação do pré-candidato com os deputados quando foi governador de São Paulo.

 

Caso a ex-ministra Dilma Rousseff vença as eleições e o deputado federal Michel Temer seja o futuro vice-presidente da República, o senhor espera continuar no cargo no próximo governo?

Essa é uma questão que nunca foi colocada. Eu tenho como meta cumprir os nove meses com o presidente Lula. Quaisquer outras decisões o partido vai discutir em um momento oportuno. Eu não tenho pleitos nem exigências.

 

E quais as sugestões que o senhor dará, como ministro e apoiador da pré-candidata Dilma, para o setor agrícola no plano de governo?

Uma delas é o programa de armazenagem na fazenda, outra é que temos de discutir, como eu disse, a ampliação do seguro rural. Também a criação de outros mecanismos de financiamento, como também já foi dito, pois o modelo financeiro atual gerou um passivo enorme, renegociado sucessivamente.

 

O seu filho, deputado estadual Baleia Rossi (PMDB), foi vice-líder na Assembleia do ex-governador José Serra (PSDB), que será o adversário da ex-ministra Dilma na eleição para presidente. A família e o PMDB vão divididos para a campanha?

Não. Temos uma visão absolutamente igual nesse campo. O Baleia foi parte da base de apoio do ex-governador José Serra, não foi contemplado com qualquer benefício especial, não foi secretário. Deu apoio parlamentar e o governador, em contrapartida, sempre apoiou os pleitos do deputado aqui para a região (de Ribeirão Preto, base eleitoral do parlamentar). Isso é uma troca de apoio político por apoio político e não tem nada a ver com a eleição. Na eleição, o PMDB nacional, que eu sigo e que o Baleia segue, tem compromisso com o presidente Lula e com a (ex) ministra Dilma Rousseff. Não temos qualquer palavra contra o (ex) governador Serra, mas não sou favorável ao projeto político do PSDB. Ao contrário, acho que nunca tivemos um presidente que fizesse tanto pelo País, pelas pessoas mais pobres, mais humildes, como o presidente Lula. Eu vou seguir a decisão do PMDB. O fato de que em São Paulo algumas pessoas levaram o partido a uma relação mais próxima com o Serra na questão eleitoral contraria a decisão nacional do partido e está errado. Por outro lado, embora respeite o ex-governador Geraldo Alckmin (pré-candidato do PSDB a governador), a relação dele com os deputados é diferente da que foi com o Serra.

 

Foi pior?

Muito mais difícil. O Serra sempre respeitou os deputados. E com o Alckmin não era a mesma relação. Se o (ex) governador Serra fosse candidato à reeleição, dificilmente o Baleia deixaria de apoiá-lo, mas quando ele se coloca na corrida nacional, nós já tínhamos uma opção feita.

 

O senhor cita a divisão no PMDB paulista pelo fato de o ex-governador Orestes Quércia apoiar o PSDB e pleitear a vaga de senador na chapa tucana?

Ele tomou uma decisão pessoal, como normalmente faz, para a qual não tinha mandato. Essa decisão não tem respaldo nas bases do partido. Eu tenho com o ex-governador Quércia uma relação política difícil, respeito o direito que ele tem de se candidatar, mas não posso concordar com o fato de ele não apoiar um governo em que o cargo de candidato a vice-presidente é dado ao maior e melhor líder do PMDB no Estado de São Paulo, o deputado Michel Temer. E não posso entender como o Quércia, vendo o seu passado peemedebista, possa se colocar contra um governo que tem seis ministros do PMDB e possa ficar ao lado de um governador que não tem secretários do partido.

 

No Estado de São Paulo, o PMDB vai para as eleições rachado ou será necessário que alguém seja enquadrado?

Eu acho que o ex-governador Orestes Quércia vai voltar atrás (da decisão de se candidatar ao Senado pela aliança com o PSDB em São Paulo). Senão, rompe com toda a tradição política do País e dele, que tem uma história.

 

As irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na Conab, empresa presidida pelo senhor antes de assumir o ministério, tinham fundamento?

Tinham fundamento em questões menores, que eu já expliquei e respondi pessoalmente, embora nenhuma delas diga respeito a mim. Eu fiz questão de discutir com os técnicos e responder detalhadamente ao TCU um dia antes de eu sair da Conab e de assumir o Ministério da Agricultura.

 

O envolvimento do nome do senhor nas irregularidades da Conab foi político?

Foi uma questão política, inegavelmente. Não do Tribunal, mas da exploração que foi feita.

 

O senhor tomou alguma medida jurídica contra o deputado federal Fernando Chiarelli (PDT-SP), que o chamou de ladrão, entre outros xingamentos?

Xingamento é inveja, coisa de mau-caráter. Claro que ele está sendo processado. São vários processos e ele está ao abrigo da imunidade parlamentar, mas isso é só até 3 de outubro deste ano, porque ele vai perder a eleição, e terá de responder na Justiça a todos os processos.

 

Quem será o próximo presidente da Conab?

Não houve uma decisão ainda. É um cargo nomeado pelo presidente da República e, portanto, o presidente Lula avalia que, na maioria dos casos, encontra uma solução caseira para esse período de nove meses até o fim do mandato, até para evitar que venha alguém que não conheça. Eu não acredito na divisão entre político e técnico. Isso existe quando as pessoas não gostam do político ou do técnico.

 

O fato de partidos como PT, PTB e PMDB disputarem politicamente a indicação também não atrapalha?

É natural, mas quem vai decidir isso é o governo e não eu. Eu tenho respeito pelos três diretores que aparecem como possíveis presidentes, que são o Sílvio Porto (indicado pelo PT), o Alexandre Aguiar (indicado pelo PTB), e o Rogério Colombini (ligado ao PMDB mineiro, mas que tem como padrinho o vice-presidente José Alencar). O nome do Carlos Magno (indicado pelo PMDB mineiro, mas que não é da Conab) também está posto. A decisão é do presidente Lula, que tem como critério fazer a solução interna. Se ele não conseguir, em alguns casos excepcionais pode fazer alguma solução diferente.

 

E quando haverá definição?

Tão logo o presidente Lula volte de viagem. Na quinta-feira, ou sexta-feira, tenho certeza de que sairá. É uma pena que a Conab festeje seus 20 anos nesta segunda-feira sem ter presidente. Eu estarei lá simbolicamente como ex-presidente e agora como ministro.

 

Quando era ministro, Roberto Rodrigues, que reside em Guariba (SP), na região de Ribeirão Preto, transferia o gabinete ministerial para a Agrishow (maior feira agrícola da América Latina, que acontece no final deste mês em Ribeirão Preto), prática que foi abolida pelo ministro Stephanes, que tem base no Paraná. O senhor pretende retomá-la este ano?

Vou fazer. O Cesário Ramalho (presidente da Agrishow), que é meu amigo de muitos anos, me fez a sugestão e eu de pronto respondi positivamente. Vou vir para a Agrishow para ouvir os produtores que quiserem conversar comigo no estande do Ministério da Agricultura. Virei ainda para receber uma delegação de embaixadores de Brasília, porque a disseminação da agricultura brasileira é muito importante.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.