Ministro critica uso político de prisões

Para Cardozo, titular da Justiça, oposição aproveita Operação Lava Jato, que prendeu empresários, em busca de '3º turno eleitoral'

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2014 | 12h06

Atualizado às 14h24

SÃO PAULO - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, convocou na manhã deste sábado às pressas uma entrevista coletiva no escritório da Presidência da República em São Paulo na qual disse "repelir com veemência" o que classificou como tentativa da oposição de "criar um terceiro turno" ao usar politicamente os resultados da Operação Lava Jato.

A Polícia Federal prendeu, na sexta-feira, 20 executivos e o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque, que é ligado ao PT, na sétima fase da Lava Jato, que foi batizada como Juízo Final. "O governo não aceitará intimidações", disse o ministro, que tem a PF sob seu comando. "Muitas vezes há aqueles que ainda acham que estamos em um disputa eleitoral. Talvez não tenham percebido que o resultado das urnas já foi dado", afirmou.

Sem citar nomes ou partidos, o ministro da Justiça disse que querem "traduzir em uma disputa eleitoral extemporânea uma investigação que é "defendida pelo governo" e "garantida com recursos e autonomia". "Eu repilo veementemente a tentativa de se politizar essa investigação e tentar carimbar forças políticas A,B,C ou D para que se possa ter um prolongamento dos palanques eleitorais (...) a democracia prevê o momento certo para as eleições."

Na sexta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ter "vergonha como brasileiro de dizer o que está acontecendo na Petrobrás" e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) destacou o elo do ex-diretor da Petrobrás com o PT. Na quinta-feira, Cardozo pediu à Corregedoria-Geral da PF para investigar a conduta de delegados que fizeram elogios a Aécio Neves e críticas à presidente Dilma Rousseff e ao PT em redes sociais, conforme revelou o Estado.

Dilma. O ministro da Justiça também relatou que telefonou para a presidente, que está na Austrália participando da reunião do G20, e contou sobre a nova fase da Operação Lava Jato. "Ela está ciente do resultado e transmitiu exatamente o que estou dizendo." Cardozo abriu a entrevista fazendo um balanço da ação da PF. Foram cumpridos até agora 49 mandatos de busca e apreensão, 9 conduções coercitivas determinadas pelo Poder Judiciário - sendo que 6 foram cumpridas.

Das seis prisões preventivas, quatro foram cumpridas. Por fim, 19 prisões temporárias foram determinadas, sendo que15 cumpridas. Aqueles que não foram localizados são considerados foragidos e Interpol será avisada. Foram bloqueados R$ 720 milhões das pessoas presas.

"Não podemos aceitar em momento algum insinuações de que criamos algum obstáculo às investigações. Pelo contrário: o Ministério da Justiça tem inclusive aportado recursos e passou recentemente R$ 20 milhões à Polícia Federal para que operações possam ser realizadas".

O ministro sinalizou ainda que políticos da oposição também serão investigados. "Lamentavelmente, as notícias divulgadas pelos jornais mostram que muitas forças políticas estão sendo questionadas neste momento, sejam as ligadas ao governo e às da oposição, que obviamente também serão objeto de uma investigação dentro os fatos colocados".

Ele minimizou, porém, denúncias envolvendo o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, apontado como integrante do esquema na Petrobrás, segundo delatores. "Desde o primeiro ano de faculdade de direito aprendi que é indevido pré-julgar".

Tudo o que sabemos sobre:
Operação Lava Jato

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.