Ministro critica invasão do Incra e ocupações

O ministro do Desenvolvimento Agrário, José Abrão, criticou hoje a invasão do prédio do Incra no Recife e o seqüestro, durante algumas horas, de três servidores por militantes do Movimento dos Trabalhadores Brasileiros, uma dissidência do MST. "Não negociamos com quem invade prédio público e seqüestra, então, é caso de polícia", disse ele, lembrando que a Polícia Federal foi acionada e os servidores, liberados.Abrão informou que mais duas fazendas foram invadidas hoje por sem-terra em Sergipe, totalizando 29 áreas ocupadas nos últimos dias - durante os protestos pela demora no julgamento de policiais militares que mataram 19 trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás (PA), em 1996. "Para criticar um atraso, se comete um erro maior", condenou o ministro.Por terem sido invadidas, as 29 fazendas só poderão desapropriadas para reforma agrária dentro de dois anos. É o que determina medida provisória editada pelo governo para coibir ocupações. Outra forma de punição é jogar os invasores para o fim da fila na distribuição de propriedades.DívidaDirigentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), deputados do PT e técnicos do governo reunidos hoje no Palácio do Planalto fecharam acordo para o Congresso votar a Medida Provisória número 24, que trata da renegociação e do alongamento de dívidas de pequenos agricultores. O acordo beneficiará cerca de 200 mil famílias, que devem aproximadamente R$ 200 milhões, a maior parte relativa a empréstimos contraídos nos anos 90.Os termos do novo texto da MP foram acertados no fim da tarde e a expectativa do governo era de que a votação ocorra ainda hoje, contribuindo para desobstruir a pauta do Congresso e abrir caminho para a apreciação da emenda constitucional que prorroga a cobrança da CPMF."Enquanto o MST fica protestando, a Contag, a oposição e o governo negociam uma questão fundamental para os pequenos agricultores", criticou Abrão. "A reforma agrária avança em ambiente de paz." O secretário-executivo do ministério, Orlando Muniz, disse que agricultores inadimplentes poderão voltar a tomar empréstimos após pagarem 20% da dívida. "Estamos falando de gente pobre", disse Muniz.BarrigudaO ministro lembrou que, em meio à onda de manifestações do MST, o governo deu mais um passo para desapropriar amigavelmente a Fazenda Barriguda 1, em Buritis (MG). O dono da área havia contestado a desapropriação, mas ele e o governo chegaram a um acordo, que foi remetido à Justiça Federal. No local serão assentadas 66 famílias.A demora no assentamento de sem-terra na Barriguda 1 é uma das principais reclamações do MST e motivou, neste ano, a invasão da Fazenda Córrego da Ponte, de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis. A desapropriação da área depende agora apenas do aval da Justiça.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.