'Ministro cospe na Constituição', diz presidente da UDR

Guilherme Cassel defendeu que País comece a discutir idéia de limitar extensão das propriedades rurais

19 de abril de 2008 | 14h10

O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, criticou neste sábado, 19, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, por trazer de volta à discussão a limitação no tamanho da propriedade. Em entrevista ao Estado, o ministro defendeu que o País comece a discutir a idéia de limitar a extensão das propriedades rurais, uma reivindicação dos movimentos sociais de luta pela terra. Segundo ele, o agronegócio deu contribuição importante para a balança comercial, mas o Brasil precisa discutir o uso racional da terra como princípio de desenvolvimento.  "Ao apoiar abertamente a limitação na propriedade, o ministro cospe na Constituição que estabelece de forma clara o direito à propriedade", afirmou. Segundo ele, o agronegócio não deu apenas uma contribuição importante para a balança comercial, mas garantiu ao governo condições para manter a inflação controlada e obter estabilidade política. "O proprietário rural está com água no pescoço porque sempre bancou esse governo." Ele acusou o governo de ter uma política contrária à classe rural e citou como exemplo a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de retirar os arrozeiros da Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. "Expulsar quem produz para favorecer quem, os índios ou as ONGs?" Nabhan manifestou apoio ao general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia, pela posição contrária ao isolamento dos índios. "Essa política de isolamento é um genocídio, pois os índios vão morrer de fome e de doenças." O ruralista também acusou o governo de ser "conivente" com as invasões ocorridas em todo o País durante ao "abril vermelho" do Movimento dos Sem-Terra (MST). "O governo federal inverte os valores e apóia um movimento criminoso, que declara guerra ao agronegócio e às empresas transnacionais." Segundo ele, o País corre o risco de pagar um "preço altíssimo" no futuro em razão da "permissividade" atual. "O governo passa, mas o Brasil fica."

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