Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Ministro confirma encontro de Dilma com Lula nesta quinta

Pepe Vargas, titular da Secretaria de Relações Institucionais, negou que o encontro seja para a presidente 'pedir socorro' e elogiou convites da Câmara aos ministros

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2015 | 17h56

Brasília - O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, confirmou ao Estado que a presidente Dilma Rousseff se reúne nesta quinta-feira, 12, em São Paulo, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Negou, no entanto, que o encontro seja para "pedir socorro" ao ex-presidente para vencer o isolamento em que se encontra ou tentar ajudar a contornar os problemas enfrentados pelo governo seja política, seja economicamente. 

Pepe Vargas aproveitou ainda para elogiar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PDMB-RJ), pela iniciativa de querer ouvir todos os 39 ministros do governo, semanalmente, às quintas-feiras, acrescentando que não houve constrangimento por isso. "Nenhum constrangimento. Muito pelo contrário, quero parabenizar Eduardo Cunha pela iniciativa", disse ele, acrescendo que "o governo vê isso com bons olhos porque isso ajudará os ministros que terão um espaço privilegiado para informar ao parlamento as prioridades de suas pastas e as ações que estão desenvolvendo". E emendou: "os ministros não podem achar que isso os atrapalha. Muito pelo contrário. Achamos isso muito positivo para um governo que quer estabelecer diálogo de forma transparente, clara e aberta. Não há problema algum pra nós. É um convite. Tranquilo".

Ao comentar o encontro de Dilma e Lula, Pepe Vargas minimizou ao ser questionado se o ex-presidente ia dar conselhos para a presidente reverter a nova crise política que o Planalto enfrenta, com sucessivas derrotas no Congresso e mais uma rebelião da própria base aliada e para aconselhá-la a sair do isolamento. "Entre os dois não tem isso de pedir socorro. Eles vão repassar os dados da conjuntura e esta é uma daquelas reuniões que eles fazem de vez em quando para trocar impressões", declarou o ministro, negando, ainda, que a presidente Dilma esteja isolada.


"Não considero que haja um processo de isolamento. Acho que as pessoas estão dizendo que, não só a presidenta, mas o governo como um todo precisa dialogar mais, tem de se comunicar mais. Não é um problema só da presidenta, mas o conjunto do governo que tem de fazer isso", declarou o ministro. Segundo Pepe Vargas, este encontro era para ter ocorrido em Belo Horizonte, quando os dois se encontraram na sexta-feira passada, no aniversário do PT, mas não foi possível. "Faz um tempo que não sentaram. Tá na hora de sentar pra conversar e isso vai ter sempre, de quando em quando", emendou.

Ao rechaçar as avaliações de que governo tenha sofrido seguidas derrotas impostas pelo Congresso e, particularmente pelo novo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, Pepe Vargas comentou que "essa tese de que o governo só tem tido derrotas não é verdadeira", explicando que, no caso do orçamento impositivo, por exemplo, o governo orientou a sua bancada a votar favoravelmente. Mas, em relação ao pagamento de emendas aos novos parlamentares que redundará em um aumento de gastos do orçamento da ordem de R$ 2,4 bilhões, em momento de ajuste fiscal, o ministro justificou que o senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator da proposta, informou ao governo sua disposição e explicou que está tentando buscar recursos para garantir este desembolso não previsto no orçamento de 2015.

 "O Jucá comunicou que está tentando encontrar uma solução para isso e o governo está aberto a discutir este tema", comentou o ministro, reconhecendo que "é evidente que os parlamentares que estão chegando representam regiões e cidades e têm toda a legitimidade de, desde o seu primeiro ano de mandato, querer resolver problemas das suas comunidades". 

O ministro da SRI citou que o governo "não encara isso como uma coisa ruim". Mas ressalvou, no entanto, que "a questão toda é como vamos encontrar os recursos para bancar isso". Ele salientou que o senador Jucá "não agiu pelas costas, mas sim agiu de forma clara e transparente com o governo" e, além disso, "está tentando encontrar uma solução e vai apresentar no relatório final". 

Sobre as Medidas Provisórias que tratam da legislação trabalhista e previdenciária, que até partidos da base querem modificar, para desespero do governo que conta com a aprovação de ambas para garantir mais R$ 18 bilhões em seu caixa, o ministro tentou minimizar dizendo que "isso nem entrou em debate ainda". Segundo ele, o debate está ainda com as centrais sindicais e na semana depois do Carnaval serão iniciadas conversas com as bancadas partidárias e com as lideranças do governo. 

"Estamos organizando um calendário de debates e discussões com o Congresso sobre o tema", observou o ministro. Tentando evitar reconhecer qualquer clima de revolta na base aliada em relação ao tema, Pepe Vargas disse que as emendas apresentadas pelos parlamentares são propostas para "aperfeiçoar o texto encaminhado ao Congresso". Para ele, "o governo vai ter de dialogar com a realidade de que existem emendas" já que é natural que "qualquer proposta do executivo passa por process de debate interno no Congresso".

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