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Ministro Celso de Mello vira 'Trending Topic' no Twitter

Caberá ao decano do STF o decisivo voto sobre se a Corte aceitará ou não os embargos infringentes no processo do mensalão, o que permitiria novo julgamento para 12 dos 25 condenados

Breno Pires, O Estado de S. Paulo - ampliado às 21h10

12 de setembro de 2013 | 17h12

Durante o intervalo da sessão do Supremo Tribunal Federal que poderia encerrar ou reabrir o processo do mensalão, o nome do ministro Celso de Mello entrou na lista dos assuntos mais comentados no Twitter. O motivo de tantas citações é o fato de que recaiu sobre o decano, o mais antigo ministro do Supremo, a responsibilidade de dar o último e decisivo voto na discussão sobre se a Corte aceitará ou não os embargos infringentes no processo do mensalão — decisão que na prática permitiria um novo julgamento para 12 dos 25 condenados.

As menções a Celso de Mello se multiplicaram após o ministro Gilmar Mendes se posicionar contra os embargos infringentes e diminuir a contagem para 5 a 4, com a maioria da Corte a favor da aceitação de embargos infringentes. Mendes levou uma hora na justificativa de seu voto e fez uma defesa veemente da necessidade de se encerrar o processo.

Até o placar chegar em 5 a 4, o julgamento do mensalão ainda não tinha entrado na lista de assuntos mais comentados na tarde desta quinta-feira. Alguns dos assuntos mais citados eram "A Fazenda" (reality show), "#AndressaExpulsa" (integrante do citado reality show), "#FicaCarrossel" (novela) e “Adriel” (integrante de uma banda que, após ser dado como desaparecido, reapareceu). Os Trending Topics também incluíam os Correios, em dia em que funcionários de Estados como São Paulo e Rio de Janeiro decretaram greve.

Além do destaque à responsabilidade do voto de Minerva, alguns internautas compartilharam o vídeo da sessão do dia 2 de agosto de 2012 — na primeira sessão de julgamento do mensalão — em que Celso de Mello fez uma defesa da possibilidade de o STF acolher os embargos infringentes.

Em entrevista após a sessão do STF, Mello sinalizou que deverá manter a opinião — com isso, haveria novo julgamento. Essa tese era festejada por defensores da reabertura do julgamento, enquanto outros pediam o fim do processo do mensalão. Bruno C. Mendes pediu que o ministro "honre o País" e mande os condenados "para a cadeia".

Campanha contra embargos. No Facebook, o "Movimento Contra a Corrupção" iniciou campanha apelando para que Celso de Mello rejeite o acolhimento dos embargos infringentes. Mais 5 mil pessoas compartilharam em menos de duas horas a foto do ministro, que na legenda falava em "voto contra os mensaleiros e a favor do povo".

O movimento também classificou como "supremos traidores" os cinco ministros que votaram a favor dos embargos — uma fotomontagem com Rosa Weber, Luis Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Teori Zavascki obteve mais de 4 mil compartilhamentos. A página do Movimento Contra a Corrupção tem 892 mil fãs na rede social.

Senador critica ministros. Poucos parlamentares fizeram menção ao julgamento, preferindo destacar as ações, projetos e sessões da Câmara e do Senado. O senador Roberto Requião (PMDB-PR), no entanto, afirmou que alguns ministros estavam "ameaçando" outros "com o terror da imprensa" e disse que isso "é muito ruim". Ele obteve 64 retuítes na postagem, em pouco mais de uma hora.

O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) registrou que a decisão final fica para o ministro Celso de Mello. "Que responsabilidade deste Ministro meu amigo heim?". Outro deputado tucano, Otavio Leite (PSDB), tuitou artigo em que o Instituto Teotônio Vilela — ligado ao partido — perguntava "que justiça é essa?", sobre a possibilidade de o STF definir por realizar um novo julgamento.

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