Ministro britânico diz que país será 'aliado' do Brasil contra subsídios agrícolas

Em São Paulo, titular de negócios diz que Londres vê aproximação com emergentes como prioridade.

Fabrícia Peixoto, BBC

31 de agosto de 2010 | 17h42

O ministro de Negócios, Inovação e Treinamento da Grã-Bretanha, Vince Cable, disse nesta terça-feira em São Paulo que seu país será um "aliado" do Brasil no combate aos subsídios pagos pela União Europeia a seus produtores agrícolas.

"Não quero criticar outros membros da União Europeia, pois eles têm seus próprios interesses", disse o ministro, referindo-se de forma velada à França, principal força contrária a uma maior liberalização nesse setor.

Na avaliação do governo brasileiro, as medidas protecionistas impostas pelos europeus têm sido uma das principais barreiras a um acordo bilateral entre União Europeia e o Mercosul e ao avanço das negociações da rodada de Doha, no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

"O fato é que os subsídios agrícolas são um grande obstáculo, e o Brasil pode considerar a Grã-Bretanha um aliado para acabar com essas medidas", completou Cable, logo após um encontro com o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, Miguel Jorge.

Aproximação

Essa é a segunda viagem internacional de Cable como ministro. Segundo ele, a visita ao Brasil reflete uma "mudança no centro de gravidade" do sistema econômico mundial, com maior projeção de países emergentes.

"Do ponto de vista do governo britânico, o Brasil é uma prioridade bastante alta", disse Cable.

Com a posse do novo governo, em maio, a diplomacia britânica passou a citar Brasil e Índia como "novos focos de prioridade" em sua política externa.

Um dos países desenvolvidos que mais sofreu com a crise financeira internacional, a Grã-Bretanha busca também na aproximação com os países emergentes uma forma de acelerar sua recuperação. No ano passado, o Produto Interno Bruto do país recuou 4,9%.

Infraestrutura

Segundo Cable, as relações econômicas entre Brasil e Grã-Bretanha não têm sido tão profundas "como deveriam" e que seu governo está disposto a reverter essa situação.

O ministro, que veio ao Brasil acompanhado de uma delegação com mais de 20 empresários britânicos, viu uma apresentação do governo brasileiro com diversas possibilidades de negócio no país, especialmente nas áreas de energia e de infraestrutura ligada à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

De acordo com Miguel Jorge, o governo brasileiro tem conversado com os britânicos desde o ano passado, na expectativa de que alguns projetos de infraestrutura no país possam interessar investidores britânicos.

"Há interesse de empresas britânicas em participar da arquitetura e da construção de estádios. Além disso, há potencial também para projetos de portos, aeroportos e de mobilidade urbana", disse Miguel Jorge.

Pré-sal

Cable afirmou que as razões do interesse britânico pelo Brasil "vão além" do rápido crescimento econômico local.

"Não estamos falando apenas de comércio e investimentos, com um rápido crescimento da economia."

"Respeitamos também outras mudanças no país, com um forte compromisso com justiça social e uma democracia que funciona muito bem. São poucos os países que reúnem isso", completou o ministro.

Um dos principais focos de interesse dos britânicos no país, segundo ele, está na exploração da camada do pré-sal.

A expectativa do ministro é de que as investigações em torno do vazamento de óleo da britânica BP no Golfo do México provem que o acidente foi um "fato isolado".

"Também acredito que exploração de petróleo em águas profundas continuará sendo uma parte importante da indústria", disse.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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