Ministro autorizou repasse ilegal ao PP, diz revista

O ministro da Agricultura, Antônio Andrade, teria autorizado uma operação para financiar a campanha do opositor Partido Progressista (PP) no município mineiro de Santos Dumont, quando era presidente do PMDB de Minas Gerais, diz reportagem de capa da revista ISTOÉ deste final de semana.

EQUIPE AE, Agência Estado

13 Abril 2013 | 12h32

A publicação obteve gravação na qual Andrade confirmaria o repasse de recursos ao PP e admitiria que houve erro. Em uma conversa com o advogado da coligação PT/PMDB, Conrado Luciano Baptista, ocorrida no dia 19 de dezembro de 2012, Andrade teria admitido que recebeu doação irregular nas contas do partido.

Conforme a transcrição da gravação publicada pela revista, Andrade diz que o dinheiro, um valor de R$ 100 mil, chegou de uma empresa, mas não era para o PMDB, e sim para o PP. "Isso passou e eu nem deveria ter deixado passar", afirma na conversa.

Procurado pela publicação, Antônio Andrade preferiu não comentar o caso e reiterou que os R$ 100 mil foram declarados oficialmente pelo PMDB.

Segundo a revista, há indícios de ilegalidade, "traição" e caixa 2 na operação. Os recursos teriam sido obtidos, de uma empresa, pelo deputado federal João Magalhães (PMDB) e deveriam ser repassados ao deputado Luiz Fernando de Faria (PP), irmão do candidato eleito a prefeito de Santos Dumont, Carlos Alberto de Faria, conhecido como Bebeto.

"Não deveria ter deixado acontecer. Foi uma falha. Porque, apesar de o dinheiro não ser do PMDB, nós podíamos ter bloqueado e falado ''olha, não tem como repassar''. O PMDB deveria ter pedido para a empresa repassar direto para o partido do Luiz Fernando."

O advogado Conrado Luciano Baptista afirma à revista que decidiu denunciar a operação por "não compactuar com ilegalidades". "Isso é caixa 2. É lavagem de dinheiro", acusa. O deputado João Magalhães negou relação com o caso e disse que arrecadou recursos apenas para a campanha de sua irmã, Maria Aparecida Magalhães Bifano (PMDB). Luiz Fernando de Faria afirmou à ISTOÉ que João Magalhães não participou da arrecadação de recursos.

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