Ministro aposta em derrota de doação privada em 2ª votação

Para Miguel Rossetto, sociedade rejeita modelo de financiamento a partidos que, em votação inicial na Câmara, passaria a ser incluído na Constituição

Suzana Inhesta, Correspondente do Estado

29 de maio de 2015 | 11h06

Belo Horizonte - O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, disse nesta sexta-feira, 29, que há uma expectativa de reversão e até de derrubar a posição favorável da Câmara ao financiamento privado de campanha e políticos em segundo turno. "Estamos acompanhando a agenda do Congresso. Há uma expectativa de revisão no segundo turno, de derrotar essa medida, e vamos aguardar inclusive o debate no Senado", declarou a jornalistas antes do Fórum Dialoga Brasil Sudeste, debate com a sociedade civil para a construção do Plano Plurianual 2016-2019.

A emenda, sugerida pelo líder do PRB, Celso Russomanno (SP), inclui na Constituição o financiamento de empresas a partidos políticos e doações de pessoas físicas a candidatos. A medida foi aprovada na última quarta-feira pela Câmara em primeiro turno. Depois de nova votação entre os deputados, o texto precisa seguir para o Senado. "Esse é um dos temas que mais nos tem preocupado mais e que deve centralizar o debate", ressaltou.

Segundo o ministro, a sociedade brasileira, "muito fortemente", rejeita esse padrão de financiamento, "porque a experiência que acumulamos no Brasil não é uma experiência positiva". "Os financiamentos empresariais se tornaram instrumento de corrupção política, fazem com que a representação política se subordine ao interesse privado. O que é muito ruim para a democracia e para o País", declarou, destacando que Dilma, tanto como presidente quanto na campanha, se manifestou claramente contrária ao assunto.

Cortes. Rossetto comentou que o corte de R$ 70 bilhões no orçamento da União previsto neste ano é "pequeno" ante a receita bruta de R$ 1,4 trilhão. "As restrições orçamentárias e financeiras não chegam aos grandes programas sociais e são concentrados neste ano. Fizemos esses ajustes para melhorar as finanças públicas e apostar num crescimento no curto prazo", falou. 

Sobre as manifestações em várias cidades do País contra o projeto de terceirização e as medidas do ajuste fiscal, o ministro disse que elas são "uma expressão da democracia brasileira". "Nós estamos acompanhando, dialogando com os movimentos sociais e representantes. Estamos também muito seguros das medidas que estamos tomando para antecipar um novo ciclo de desenvolvimento para o País, com crescimento econômico, com emprego, qualidade e renda. Obviamente o que não podemos aceitar é um padrão de violência e um desrespeito ao direito dos cidadãos", frisou.

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