Ministro alega engano e diz que gasto da tapioca virou 'folclore'

Orlando Silva diz que devolveu tudo o que gastou com cartão e que uso aconteceu somente por trabalho

Agência Senado

08 de abril de 2008 | 14h02

O ministro do Esporte, Orlando Silva, justificou nesta terça-feira, 8, à CPI dos Cartões Corporativos a compra da tapioca com cartão corporativo. Silva diz que se enganou ao usar o cartão em Brasília e que logo devolveu o valor de R$ 8,30, referente ao gasto. O cartão corporativo só pode ser usado quando os ministros viajam a trabalho. O ministro afirmou também que decidiu devolver à União o valor total dos gastos que fez com cartão corporativo - R$ 34.378,37, referentes a gastos entre 2006 e 2007. O dinheiro foi retirado da própria poupança, afirmou o ministro, e pago em três parcelas.   O ministro disse estar convicto de que a Controladoria Geral da União (CGU) irá considerar corretas as despesas que fez com seu cartão corporativo e, por isso, irá pedir ressarcimento dos cerca de R$ 34 mil que pagou do próprio bolso para cobrir despesas que a CGU suspeita terem sido quitadas irregularmente com o cartão.   Veja Também: Em depoimento, general defende sigilo de gastos Oposição tenta nesta terça criar CPI no Senado para apurar dossiê PF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHC Decisão da PF de investigar dossiê é uma farsa, diz Virgílio Garibaldi deve instalar CPI dos Cartões no Senado amanhã Dilma anuncia auditoria e fala em ação da PF sobre vazamento Entenda o que é e como funciona o ITI Dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Forúm: Quem ganha e quem perde com a CPI? Oposição vai questionar Dilma sobre dossiê contra FHC em comissão   Silva disse ainda que, fora esse episódio, o uso do cartão se deu exclusivamente em cumprimento de agendas de trabalho. Ele minimiza o caso tapioca e afirma que virou "parte do folclore político nacional". "Foi engano, usei o cartão aqui em Brasília, o que não pode acontecer. Identificado o gasto da tapioca, houve recolhimento, no dia 29 outubro de 2007. Portanto, muito antes de publicarem as denúncias.   Orlando Silva afirmou que decidiu tomar essa atitude devido à "indignação" que sentiu diante da "escalada crescente de ataques" com informações truncadas sendo oferecidas à opinião pública sobre suposto uso irregular de cartão corporativo por parte dele. "Era uma escalada na distorção de informações que envolviam minha reputação, minha honra, minha família", afirmou.   Segundo o ministro, o engano ocorreu porque, na hora de pagar a conta, confundiu o cartão corporativo com o particular. A irregularidade, destacou o ministro, é que esse tipo de despesa não poderia ter sido paga em Brasília com cartão corporativo do governo, que só pode ser usado em viagens. Ao ser questionado pelo relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), o ministro disse que em três outras vezes se enganou também, mas no sentido inverso, tendo pagado gastos públicos com o próprio cartão.   Orlando Silva destacou que os gastos dele com cartão corporativo são públicos, constam no Portal da Transparência e já foram auditados por órgãos como Controladoria Geral da União, Ministério Público e Tribunal de Contas da União (TCU). O ministro informou também que, desde que assumiu a pasta, em maio de 2006, o cartão de crédito corporativo é o único método de suprimento de fundos do Ministério do Esporte.   O ministro garantiu que só usou o cartão para pagamento de despesas de transporte, hospedagem e alimentação em viagens e, também em resposta a questionamento do deputado Luiz Sérgio, que nunca fez saques em dinheiro. Segundo Orlando Silva, reportagens que o apontavam como responsável por saques em dinheiro foram desmentidas.   "O cartão foi usado exclusivamente no cumprimento de agendas de trabalho", garantiu.   Sobre outras supostas irregularidades encontradas, informou que usou o cartão para pagar a hospedagem da mulher, da filha e da babá, que o acompanharam em uma viagem de trabalho. Mas como o cartão não pode ser usado para pagar despesas de terceiros, o erro já havia sido percebido pelo controle interno e o valor ressarcido aos cofres da União antes mesmo de as denúncias serem publicadas na imprensa.   Texto atualizado às 16 horas   (Com Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo)

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