Ministro admite falha na elaboração do projeto da BR-101

Paulo Sérgio Passos, porém, negou qualquer irregularidade na liberação de recursos no ano passado

Leandro Colon.e Fábio Graner, AE

16 de julho de 2011 | 13h56

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, admitiu neste sábado 16, que houve falha na elaboração do projeto de obras da rodovia BR-101, no Rio de Janeiro, que levou a aditivos de R$ 25 milhões no contrato, cujo valor original era de R$ 20,4 milhões. "Pode ter havido falha no projeto original", afirmou. Passos, porém, negou qualquer irregularidade na liberação de recursos no ano passado para esta rodovia e outras duas, as BR-317 e BR-265. Essas obras foram comandadas por empresas que doaram dinheiro para a campanha eleitoral do PR, seu partido.

 

O ministro convocou coletiva no sábado pela manhã para comentar reportagem publicada pela revista IstoÉ sobre o tema. Segundo a revista, o ministro liberou no ano passado R$ 78 milhões em créditos suplementares para essas rodovias no período em que ocupou o comando interino do Ministério dos Transportes. Ele era secretário-executivo de Alfredo Nascimento, que havia se afastado na época para disputar a eleição ao Senado.

 

De acordo com a reportagem, os empreendimentos das três rodovias constavam da lista de graves irregularidades do Tribunal de Contas da União (TCU), o que, em tese, impediria a liberação dessa verba e a continuação da obra. O ministro, no entanto, negou que houvesse restrições do tribunal para os trechos específicos dessas três rodovias que foram objeto dos créditos suplementares. Afirmou também que não vê "nenhuma relação" entre os recursos para as obras e as doações eleitorais das construtoras ao PR. Uma das empresas, a Sanches Tripoloni, doou R$ 2,5 milhões ao partido.

 

Passos voltou a falar que, se for necessário, afastará mais integrantes da pasta dos Transportes, incluindo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). "Tenho clara determinação da presidente da República de promover o afastamento de quem quer que seja", afirmou. Ele, no entanto, evitou falar em nomes. Questionado, afirmou que nunca soube das irregularidades que levaram à queda de seis pessoas do governo até agora vinculadas ao escândalo nos Transportes.

 

O ministro, depois de muita insistência dos jornalistas, respondeu que Luiz Antônio Pagot é o diretor-geral  do Dnit e está em férias. E jogou a responsabilidade de sua saída definitiva para a presidente Dilma Rousseff. "Ele (Pagot) está em férias. Não posso falar em decisões da presidente", disse. 

 

A crise nos Transportes começou há duas semanas, após reportagem da revista Veja revelar a existência de um esquema de corrupção na pasta, tendo como foco principal o Dnit. Logo em seguida, o governo anunciou o afastamento de Luiz Antônio Pagot da diretoria-geral, do presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, do chefe de gabinete do Ministério dos Transportes, Mauro Barbosa, e do assessor Luiz Tito.

 

O então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, não resistiu à pressão e pediu demissão dias depois. Na sexta-feira, foi a vez do diretor-executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá, perder o cargo, após o Estado revelar que a construtora da mulher dele ganhou R$ 18 milhões obras de rodovias federais vinculadas a convênios com o Dnit.

 

Sadok acumula o cargo de diretor-geral interino no lugar de Pagot, que saiu de férias após a informação divulgada pelo governo de que havia sido afastado.

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