Ministro acusa Fetag de ´seqüestro´ de funcionários

O ministro do Desenvolvimento Agrário, José Abrão, informou que o superintendente do Incra no Distrito Federal e Entorno, Manuel Furtado Neto, e funcionários do órgão foram impedidos, nesta terça-feira, de deixar a sede regional do instituto, no setor sudoeste da capital federal, por dirigentes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) do DF e Entorno.Segundo o ministro, o incidente terminou com a chegada de agentes da Polícia Federal, que conduziram os dirigentes da federação, no total de 15, à sede da PF para prestar depoimento, sendo liberados depois. Também o presidente do Incra foi levado à PF, onde prestou depoimento antes de ser liberado.Os dirigentes da Fetag, que faz parte da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), estavam reunidos, por volta das 15h30 desta terça-feira, com o superintendente do Incra para tratar de reivindicações constantes da pauta do "Grito da Terra", que começa nesta quarta-feira.De acordo com o ministro, os dirigentes, ao serem informados de que suas reivindicações não seriam atendidas, anunciaram que o superintendente e seus assessores não poderiam deixar a sala da reunião, atitude classificada pelo ministro como "seqüestro e cárcere privado".Furtado Neto e os funcionários foram obrigados a permanecer no local por cerca de uma hora e só puderam sair após a chegada dos agentes federais. De acordo com o ministro, a PF abriu inquérito para apurar responsabilidades e eventuais danos ao patrimônio público.José Abrão disse estranhar o comportamento dos integrantes da Contag. Lembrou que esse tipo de atitude, em negociações com o governo, é mais freqüente por parte de militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). "Com a Contag, isso é muito raro, mas a entidade experimentou o mesmo gosto que sente o MST quando adota esse tipo de comportamento", disse o ministro.Por ordem de Abrão, uma reunião geral do governo com a Contag, marcada para as 18 horas desta terça, foi suspensa. O presidente da Contag, Manoel dos Santos, esteve no local para ajudar a contornar o incidente. Segundo o vice-presidente da confederação, Alberto Broch, o que ocorreu na sede do Incra foi "um impasse nas negociações: "Evitamos sempre, mas, no momento em que se chega ao extremo, essa arma é usada", disse Broch.

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