Ministro acusa ex-presidente do STF de tráfico de influência

O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou durante sessão plenária desta tarde transmitida pela TV Justiça o ex-presidente do STF e advogado, Maurício Corrêa, de tentar influenciar o julgamento de uma ação milionária sobre desapropriação de terras no STF. O episódio criou um clima de constrangimento no tribunal. "Ele tomou a liberdade de ligar para a minha casa pedindo urgência para esse caso", informou o ministro no plenário. "O tribunal precisa tomar medidas sérias com relação a esse tipo de tráfico de influência", acrescentou. "Se ele está atuando indevidamente está praticando tráfico de influência", concluiu. Corrêa, que não estava no STF, apareceu em minutos no tribunal. Ele entregou documentos para a presidente do Supremo, Ellen Gracie, que provam que é advogado na causa. Ellen Gracie comunicou o fato ao plenário e encerrou a sessão. "Achei que foi uma descortesia, uma irresponsabilidade de um ministro que ficou com os autos por bastante tempo", afirmou Corrêa durante entrevista concedida a jornalistas. O ex-presidente do STF disse que Joaquim Barbosa não leu direito o processo. Caso contrário teria visto que ele era advogado de um dos envolvidos no processo. Corrêa confirmou que ligou para Barbosa para saber se havia uma previsão de data para julgamento da ação. "Sou um cidadão brasileiro, sou inscrito na OAB. Ninguém tem nada a ver com a minha vida. Muito menos o senhor Joaquim Barbosa", disse Corrêa."Estou pensando em tomar providências contra ele, sim", afirmou o ex-presidente do STF. Entre as hipóteses estudadas está uma representação contra Barbosa. Corrêa disse que não existe nenhum impedimento legal para que ele advogue no Supremo. Ele informou que se aposentou há quase três anos e que na época não estava em vigor a emenda constitucional da reforma do Judiciário, que estabeleceu uma quarentena para os juízes voltarem a advogar. Essa não é a primeira vez que ocorre um desentendimento no STF envolvendo o ministro Joaquim Barbosa. Outro problema ocorreu em 2004, quando Barbosa teria acusado Marco Aurélio de substituí-lo irregularmente num julgamento.

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