Ministra recebe bênção de casal da Renascer

Pego com US$ 56 mil no aeroporto, casal Hernandes cumpriu dez meses de prisão nos EUA

Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

Em um movimento de aproximação com o eleitorado evangélico, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu ontem líderes de várias igrejas, que participaram da cerimônia de sanção da lei que cria o dia nacional da marcha evangélica. Entre os presentes, estava o casal Hernandes, apóstolo Estevan e a bispa Sônia, da Igreja Renascer em Cristo, que retornou ao Brasil há um mês. O casal cumpriu pena de dez meses de prisão, em Miami, nos Estados Unidos, por ter sido flagrado entrando no país, em janeiro de 2007, com US$ 56 mil não declarados e escondidos dentro de uma Bíblia.

Antes do início da cerimônia, o apóstolo Hernandes fez questão de puxar uma oração pela saúde de Dilma, que ontem deu entrevista dizendo que está curada do câncer linfático. Dilma é a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 2010.

"Oramos por ela, pela família dela e pela saúde dela", disse o Estevan Hernandes ao Estado, ao deixar a sala de cerimônias do Centro Cultural Banco do Brasil, atual sede do governo. Após a bênção à ministra, o casal Hernandes convidou Dilma para participar, no dia 2 de novembro, em São Paulo, da Marcha para Jesus. O casal promete reunir pelo menos quatro milhões de pessoas. "Ela disse que, se for possível, estará sim, presente", contou Hernandes, que não quis falar em apoio à candidatura da petista nas eleições presidenciais de 2010.

"É muito cedo para falar em apoio a candidatos", respondeu, esquivando-se da imprensa. Os evangélicos representam hoje, segundo estimativas das igrejas, cerca de 15% do eleitorado nacional.

A nova lei estabeleceu que o dia da marcha será 60 dias após a Páscoa, "para facilitar a mobilização dos fiéis e todos os convidados, por coincidir com o feriado", conforme comentou o Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). Ao contrário do costume em cerimônias deste tipo, Lula não discursou. Deixou a palavra por conta de Crivella, que citou o presidente como responsável por "muitas marchas pelos pobres".

Esta é a segunda investida de Dilma em um eleitorado que é simpático à também possível candidata pelo PV, senadora Marina Silva, que é ligada à Assembleia de Deus. "Não creio que tenha havido qualquer interesse ou ambição eleitoral ou eleitoreira", disse Crivella, que, ao ser questionado se não ajudava na chamada aos eleitores evangélicos, respondeu: "Eu espero que seja a consciência cristã a ajudar na hora de tomar as decisões políticas". Estavam presentes na cerimônia, além dos representantes da Renascer e da Universal, pastores das igrejas Baptista, Metodista, Sarah Nossa Terra, Casa da Bênção e Assembleia de Deus.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.