Ministra rebate críticas e afirma dialogar com movimento negro

Reportagem do 'Estado' desta sexta-feira mostrou que Luiza Barros, da Secretaria da Igualdade Racial, está perdendo apoio

Roldão Arruda / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2011 | 00h02

A ministra Luiza Bairros, da Secretaria da Igualdade Racial, contestou nesta sexta-feira, 16, as críticas à sua gestão feitas por parte de organizações do movimento negro e integrantes do PT. Para ela é incompreensível a acusação de que não dialoga com os movimentos sociais do País.

“No Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial nós temos 22 representações de setores da sociedade civil, que têm sido convocadas para participar de debates e decisões em diferentes ocasiões”, afirmou. “Eu participo dessas reuniões na maior parte do tempo e não entendo como é possível, diante dessas circunstâncias, alegar falta de diálogo.”

A ministra também disse que as críticas, publicadas na sexta-feira em reportagem do Estado, partem de pessoas descontentes com as mudanças que fez no quadro de pessoal da Secretaria. “É obvio que a troca de pessoas em cargos de livre no meação do ministro causa descontentamento. Isso ocorre em qualquer ministério, em qualquer troca de governo”, enfatizo. “Não se pode imaginar que as coisas vão permanecer exatamente como eram.”

Luiza  informou que sua principal preocupação tem sido trabalhar de maneira articulada todos os ministérios da Esplanada, que seriam o seu primeiro público.  “A Seppir faz parte do governo e tem que enxergar as oportunidades para ações afirmativas naquilo que os ministérios efetivamente fazem. Não se trabalha à merce de interesses particulares, nem a esmo.”

A respeito das críticas de falta de habilidade política nas negociações com a Caixa Econômica Federal, quando pediu que fosse retirada do ar uma publicidade em que o escritor Machado de Assis aparecia mais branco do que era na realidade, ela disse serem totalmente equivocadas. Segundo a ministra, o debate ocorreu “de maneira digna e coerente” e “sem qualquer estremecimento nas relações da Seppir com a Caixa.

Uma das provas desse bom relacionamento, segundo Luiza, é o termo de cooperação que as duas instituições assinam an segunda-feira (21). “Elas visam o desenvolvimento de um conjunto de ações no âmbito da campanha Igualdade Racial é Pra Valer.”

Indagada sobre a perda de prestígio da Secretaria, que seria marcada entre outras coisas pela contingenciamento de mais da metade das verbas de sua pasta, ela respondeu:  “Não lembro exatamente qual foi o índice do contingenciamento, mas acho que ficou em torno de 30%. Isso não significa perda de prestígio da secretaria, porque pegou todos os setores do governo, em função de determinadas avaliações que indicavam a necessidade de redução do gasto público. A ideia da Presidência da República de fazer mais com menos esteve presente em todo o planejamento que fizemos.”

De maneira incisiva, Luiza rebateu a crítica de que sua administra ão dá mais atenção a organizações não governamentais do que ao movimento social. “O movimento negro é que reúne menos ONGs entre todos os movimentos da sociedade. Se fosse privilegiar apenas ONGs eu reduziria muito o espaço de articulação e diálogo.”

Disputas políticas são saudáveis, na opinião da ministra, porque permitem à sociedade identificar diferentes propostas e programas. “Esse debate não pode ocorrer, porém, na base da desqualificação sistemática de quem ocupa cargos nos ministérios”, afirmou. “Uma coisa que as pessoas não percebem é que, numa sociedade racista, os ataques a uma pessoa negra acabam atingindo a todos nós, negros. É assim que o racismo opera. O trabalho de um negro para a construção de uma trajetória coerente, bem qualificada, num determinado campo de atuação, não pode ser desqualificado em função de interesses que não se mostram em sua plenitude. Quando se trata de discutir um projeto políti co é preciso que as alternativas sejam colocadas na mesa de maneira explícita.”

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