Ministra inicia maratona de viagens internacionais

Périplo por Coréia, Japão e EUA terá início após casamento da filha, hoje em Porto Alegre

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2008 | 00h00

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ficará longe do tiroteio do dossiê e dos cartões corporativos por um período de 11 dias, mas continuará a atrair os holofotes. Dilma cumprirá agora o que o governo chama de "agenda positiva", recheada de encontros no exterior com executivos. A maratona internacional só terá uma pausa hoje, quando ela reunirá a elite política e boa parte do PIB, em Porto Alegre (RS), para a festa de casamento de sua única filha, Paula Rousseff Araújo, com o administrador de empresas Rafael Covolo.Com 600 convidados, a cerimônia será prestigiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma penca de ministros e governadores, ávidos por demonstrar solidariedade à ministra, alvo predileto da oposição, que a acusa de montar um dossiê com gastos sigilosos do governo Fernando Henrique. Na tarde de ontem, até mesmo adversários admitiam que a saída de Dilma da cena política - no momento em que o Planalto tenta derrubar sua convocação para depor sobre o dossiê na Comissão de Infra-Estrutura do Senado - pode esfriar a temperatura da crise.Um dia depois do casamento da filha, Dilma embarcará para Seul, na Coréia, onde permanecerá menos de 48 horas. Na pauta, o trem de alta velocidade que ligará o Rio a São Paulo. De lá ela seguirá para Tóquio e Kyoto, no Japão. Em seus quatro dias de visita, terá várias reuniões com executivos para tratar da reciprocidade de negócios, depois que o Brasil optou pelo modelo japonês de TV digital. Levará ainda na bagagem projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de biocombustíveis.Na semana que se inicia no dia 27, Dilma já estará em Washington para encontros com presidentes de companhias norte-americanas. O esforço do Planalto é para mostrar que, enquanto a Polícia Federal investiga o vazamento de informações sigilosas da Casa Civil, a ministra trabalha como gerente do governo e coordenadora do PAC, abordando assuntos "edificantes".CERCOA ordem do governo é ganhar tempo para enfrentar "o vento da calúnia e a maré das intrigas", como definiu ontem o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), anfitrião de Lula e Dilma, que estiveram na capital mineira para inaugurar mais um lote de obras do PAC. Os aliados avaliam que a estratégia já começou a produzir resultado. Motivo: apesar do cerco da oposição e do fogo amigo do PT sobre a ministra - a preferida de Lula para sua própria sucessão em 2010 -, ela já exibe índices que variam de 8% a 10% das intenções de voto, em cidades do Nordeste, segundo pesquisa encomendada pelo PSDB.Enquanto Dilma estiver no exterior, deputados e senadores governistas seguirão o roteiro combinado com o Planalto para não mexer no vespeiro da produção do dossiê: bater na tecla de que todas as explicações cabem ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR), suposto responsável pela divulgação dos dados sigilosos.

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