Ministra francesa diz entender decisão de Dilma de estudar compra de caças

Michèle Alliot-Marie destacou que França está disposta a transferir totalidade da tecnologia do Rafale para que 'Brasil seja autônomo para fazer eventuais adaptações'

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S.Paulo,

22 de fevereiro de 2011 | 16h56

BRASÍLIA - A ministra dos Negócios Estrangeiros da França, Michèle Alliot-Marie, disse na tarde desta terça-feira, 22, que entende "perfeitamente" a decisão da presidente Dilma Rousseff de "estudar melhor a proposta" de compra dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB).

 

Reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo", publicada no último sábado, informou que o Planalto optou pela suspensão da compra de 36 caças enquanto estiver em vigor o período de austeridade fiscal. Segundo o relato de ministros, Dilma avaliou que não há "clima" para se pensar em uma despesa militar de US$ 7 bilhões após ter anunciado um corte orçamentário de R$ 50 bilhões.

 

"Entendo perfeitamente, acho legítima, com as exigências orçamentárias do ano 2011 e as preocupações fiscais, que Dilma queira estudar melhor a proposta, já que o presidente Lula não quis tomar a decisão dizendo que é responsabilidade dela", afirmou Michèle, após encontro no Itamaraty com o chanceler brasileiro, Antonio de Aguiar Patriota. "É perfeitamente normal que Dilma queira refletir sobre os diversos aspectos dessa venda, é normal que tenha preocupações orçamentárias e precise de tempo. Pra nós a nossa proposta de avião é a melhor proposta", disse a ministra.

 

Michèle destacou que a França está disposta a transferir a totalidade da tecnologia do Rafale para que "o Brasil seja autônomo para fazer eventuais adaptações e, se assim desejar, vender para outros países". "Nenhum outro país fez essa proposta de transferência", disse.

 

Segundo Patriota, os caças não foram objeto de "conversa aprofundada". "A situação dos caças é essa que vocês conhecem, existe o corte orçamentário, a presidenta quer refletir sobre o assunto e há uma compreensão dos três concorrentes sobre os prazos e o desejo brasileiro de reflexão", afirmou. Além dos caças Rafale da francesa Dassault, estão na disputa a sueca Saab e a norte-americana Boeing.

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