Ministra fará quimioterapia pelos próximos 4 meses

Expectativa dos médicos é de que sejam necessárias cinco ou seis sessões para tratamento de Dilma, cada uma de cerca de quatro horas

Silvia Amorim e Niza Souza, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deverá passar por tratamento quimioterápico durante quatro meses para combater um linfoma - tumor cancerígeno no sistema linfático. Dilma já teria feito uma primeira sessão de quimioterapia e a próxima estaria marcada para 9 de maio. A expectativa é de que sejam necessárias cinco ou seis sessões, de acordo com o médico Roberto Kalil. Cada uma delas dura, em média, quatro horas.A quimioterapia consiste na combinação de duas ou mais drogas, sob várias formas de administração, conforme o tipo de linfoma. No caso de Dilma, explicaram os médicos, o tratamento não exige mudança de rotina. No mesmo dia das sessões, ela poderá voltar para casa ou para o trabalho.De acordo com informações do médico Ricardo Bignio, do Hospital do Câncer, no site do Instituto Nacional de Câncer (Inca), linfomas são neoplasias malignas - divisões desordenadas de células - nos linfonodos, os gânglios, órgãos importantes no combate a infecções.Na ministra foi diagnosticado o linfoma tipo B de grandes células. Dilma disse ontem que não sentiu nenhum sintoma da doença e a descoberta do nódulo na axila esquerda foi feita por acaso durante um exame de rotina há cerca de um mês. Em alguns casos de linfoma o paciente pode apresentar sintomas como aumento dos linfonodos do pescoço, axilas e virilha, sudorese noturna excessiva, febre, coceira na pele e perda de peso inexplicável.Nos últimos 25 anos, o número de casos do tipo mais comum da doença no Brasil praticamente dobrou, especialmente em pessoas acima de 60 anos. As causas desse crescimento ainda são desconhecidas. Segundo Bignio, há alguns fatores que aumentam o risco de câncer linfático. Pessoas com deficiência de imunidade, por exemplo, têm probabilidade maior para alguns tipos de linfoma.Segundo a hematologista que cuidou da ministra, Yana Augusta Sarkis Novis, o linfoma atinge indiscriminadamente homens e mulheres, crianças, jovens ou adultos.Conforme informações do Inca, os linfomas também estão ligados à exposição a certos agentes químicos ou altas doses de radiação.ESTÁGIOSOs linfomas são classificados em estágios de 1 a 4. No estágio 1, observa-se envolvimento de apenas um grupo de linfonodos. Já no estágio 4, há envolvimento disseminado dos linfonodos. Na maioria dos casos de linfoma, o tratamento é feito com quimioterapia ou radioterapia. Em Dilma, foi confirmado o estágio 1.A doença também pode ser tratada com radioterapia, usada, em geral, para reduzir a carga tumoral em locais específicos, aliviar sintomas ou consolidar o tratamento quimioterápico, diminuindo as chances de recaída em certas partes do organismo mais suscetíveis.COLABOROU CLARISSA OLIVEIRA

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