Ministra diz que frase sobre racismo está fora de contexto

Em resposta às reações sobre a frase "não é racismo quando um negro se insurge contra um branco", a ministra Matilde Ribeiro, titular da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), apenas respondeu em nota que a declaração foi tirada do contexto, "induzindo o leitor ao equívoco", e que o comportamento é tão "condenável" quanto a exclusão social de grupos étnicos no País. No entanto, a ministra não negou que acha "natural" esse tipo de atitude. A afirmação da ministra foi feita em entrevista à BBC Brasil nesta terça-feira, 27, ao responder a uma pergunta sobre racismo de negro contra branco no Brasil em relação ao que acontece nos Estados Unidos. "Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão", disse. Matilde usa a entrevista para se defender dizendo que "não está incitando" esse tipo de comportamento e que não acha "que seja uma coisa boa". A afirmação, de acordo com a nota, apenas reconhece "a histórica situação de exclusão social de determinados grupos étnicos no Brasil, prevalecente após 120 anos da abolição, que pode, por vezes, provocar esse tipo de atitude, também condenável." Leia a íntegra da nota:Em relação à entrevista da ministra Matilde Ribeiro, divulgada pela BBC Brasil nesta terça-feira, 27, esta secretaria esclarece que a frase "não é racismo quando um negro se insurge contra um branco" aparece no título de maneira descontextualizada, induzindo o leitor ao equívoco. A ministra deixa claro, no decorrer da conversa, que "não está incitando" esse tipo de comportamento e afirma: "Não acho que seja uma coisa boa". A afirmação apenas reconhece a histórica situação de exclusão social de determinados grupos étnicos no Brasil, prevalecente após 120 anos da abolição, que pode, por vezes, provocar esse tipo de atitude - também condenável. Esclarecemos, ainda, que a missão da Seppir é justamente tomar iniciativas contra as desigualdades raciais no País e formular políticas públicas de igualdade racial, de forma conjugada com os demais ministérios e em diálogo com diversos setores da sociedade civil. A Secretaria também atua no sentido da valorização e do respeito às diversidades, em um trabalho integrado com negros, indígenas, ciganos, judeus e palestinos em espaços como o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, com a intenção de garantir a essas comunidades acesso a bens e serviços públicos, qualidade de vida e oportunidades iguais.

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