Ministra Dilma diz que faz quimioterapia contra linfoma

A ministra-chefe da Casa Civil faz tratamento no Hospital Sírio Libanês, onde concedeu entrevista coletiva

Teresa Ribeiro, do estadao.com.br,

25 de abril de 2009 | 13h29

A ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff disse em entrevista coletiva por volta das 13h30 deste sábado, 25, que está fazendo tratamento de quimioterapia para combater um linfoma, um câncer do sistema linfático, na axila esquerda. A doença foi diagnosticada há cerca de três semanas em exames de rotina e um gânglio foi extirpado durante uma cirurgia que durou 45 minutos. A ministra disse que vai enfrentar o tratamento da doença trabalhando.  Segundo os médicos, as chances de cura seriam de mais de 90%.

 

Dilma Rousseff fala ao lado da equipe médica do Hospital Sírio Libanês. Foto: Antonio Milena/AE

 

Dilma disse que não sente sintomas da doença. "Eu estou me sentindo muito bem, é uma das coisas contraditórias dessa doença, por isso recomendo que as pessoas façam exames, façam medicina preventiva", afirmou. "Vim fazer um check-up e foi encontrado o nódulo".

 

Veja também:

Lula recebeu notícia de Dilma há apenas uma semana

Petistas dizem que Dilma é candidata para 2010

Número de casos de linfoma no Brasil dobrou em 25 anos

Leia a íntegra do boletim médico

 

O nódulo extraído tinha cerca de 2 centímetros de diâmetro e foi descoberto, há cerca de 30 dias, durante tomografia de rotina na região do coração. "Fizemos um rastreamento no organismo da ministra e o nódulo estava localizado", explicou o cardiologista Roberto Kalil, médico pessoal de Dilma e de Lula. Ela disse que faz exames de prevenção a cada dois anos.

 

Já a médica hematologista Yana Novis explicou que se trata de "um linfoma B de grande célula" e que a ministra deverá fazer tratamento por quatro meses, com cinco sessões de quimioterapia, que duram em torno de quatro horas cada. Segundo a médica, o tratamento não deverá impedi-la de exercer as atividades normais e que a chance de cura é de mais de 90% porque a doença foi descoberta em estágio inicial

 

Sobre o tratamento, a ministra comentou que "o tratamento é sempre desagradável, mas como tantos homens e mulheres brasileiros enfrentam isso, eu também vou enfrentar e os médicos me disseram que posso continuar com meu ritmo de trabalho. Nós brasileiros temos a capacidade de transpormos obstáculos e sairmos inteiros e mais fortes do lado de lá". "É mais um desafio que vou ter na minha vida", disse Dilma. "O meu objetivo é enfrentar esse processo e viver a minha vida de forma bastante intensa. Tenho que comemorar a vida", concluiu.

 

A causa do tumor é desconhecida. A biografia médica indica que podem ser vários os fatores. "Mas sabemos que é um problema mais prevalente em países desenvolvidos. Até algum tipo de vírus pode ser a causa. Mas nada disso foi constatado na ministra", explicou Yana. Completa o grupo de especialistas que cuidam da ministra o oncologista clínico Paulo Hoff.

 

O anúncio do estado de saúde da ministra foi cercado de suspense. Kalil, ao chegar ao hospital, não quis dar nenhuma declaração. Dilma, que entrou pela porta da frente do Sírio-Libanês minutos depois, acompanhada do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, também não deu entrevista. Sorridente, maquiada e de cabelo escovado, apenas pediu aos repórteres que esperassem pela entrevista coletiva.

 

Dilma é hoje o principal nome do governo para a sucessão de Lula em 2010. A intenção de lançá-la candidata já foi anunciada pelo próprio presidente. Desde o início do ano, ela intensificou sua agenda política e até fez no fim do ano passado uma cirurgia para suavizar as linhas de expressão do rosto. A ministra também agradeceu publicamente à equipe médica. "Eu queria aproveitar a oportunidade para dizer que me sinto muito segura."

 

(Com Silvia Amorim, de O Estado de S. Paulo)

 

Matéria atualizada às 18h30.

Tudo o que sabemos sobre:
Dilma Roussefflinfoma

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.